No mesmo dia, cidade se reunia para agradecer e festejar em comemoração à padroeira Nossa Senhora das Dores
Operação da PF em Humaitá causa revolta e prefeitura publica nota de repúdio

Uma operação da Polícia Federal em Humaitá, no combate ao garimpo ilegal na região, realizada nesta segunda-feira (15), causou revolta em populares do município do interior do Amazonas e levou a Prefeitura e a Câmara Municipal, de Manicoré, publicarem uma nota conjunta de repúdio, criticando a ação que destruiu 71 dragas e balsas, afetando cerca de 5 mil pessoas.
No mesmo dia em que a cidade se reunia para agradecer e festejar, em comemoração à padroeira Nossa Senhora das Dores, balsas de extrativistas minerais familiares foram incendiadas no Porto da Igreja Matriz, trazendo desespero a dezenas de famílias que dependem desse trabalho para sobreviver.
Moradores da cidade, no interior do Amazonas, criticaram a ação da Polícia Federal, alegando o uso de bombas de gás de pimenta e tiros de borracha contra a população — atitude considerada desproporcional por muitos.

O episódio, classificado pela Prefeitura e pela Câmara como “ato de grande dor e desilusão”, expôs mais do que a destruição de bens: revelou a vulnerabilidade social e econômica de quem luta pela subsistência em meio à ausência de políticas públicas consistentes. As explosões provocadas pelos incêndios colocaram em risco moradores da região, aumentando a possibilidade de desbarrancamento e ameaçando a integridade física da população próxima ao porto.
A nota oficial assinada pelo Executivo e pelo Legislativo municipais destaca solidariedade às famílias atingidas, mas também denuncia a negligência de ações de fiscalização e controle, que, segundo a nota, deveriam ser conduzidas com responsabilidade para evitar tragédias como esta.

Mais do que repúdio, o episódio escancara a contradição de um município onde fé e trabalho convivem lado a lado, mas continuam vulneráveis à insegurança e à violência.











