Violência no trânsito faz 126 vítimas fatais em Manaus no primeiro semestre de 2026

Especialista faz alerta para número alarmante

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O trânsito da capital amazonense continua impondo um cenário preocupante para a segurança viária. Levantamento referente ao primeiro semestre de 2026 aponta que 126 pessoas perderam a vida em sinistros de trânsito entre os meses de janeiro e junho. No mesmo período de 2025, foram registradas 124 mortes, o que representa um aumento de 1,61%.

Embora a variação percentual seja pequena, os números evidenciam que a violência no trânsito permanece como um grave problema de saúde pública e reforçam a necessidade de fortalecer políticas permanentes voltadas à preservação da vida.

De acordo com o estudo, março foi o mês com maior número de vítimas fatais, totalizando 25 mortes. Em seguida aparecem maio, com 23; abril, com 22; janeiro e fevereiro, com 21 mortes cada; e junho, que registrou 14 óbitos.

O impacto também é significativo para a rede pública de saúde. Nos seis primeiros meses deste ano, mais de 13 mil pessoas receberam atendimento em unidades de saúde do Amazonas em decorrência de ocorrências de trânsito. Somente em junho foram contabilizados 1.077 atendimentos, dos quais 689 envolveram motociclistas. Atualmente, estima-se que aproximadamente 75% dos leitos destinados ao atendimento de traumas estejam ocupados por vítimas de sinistros de trânsito.

Como resposta a esse cenário, o mestre em Engenharia e especialista em trânsito Mário Ricardo Carvalho defende o fortalecimento de políticas públicas e apresenta duas iniciativas de sua autoria: o projeto “Me Sinto Seguro”, voltado à conscientização sobre as responsabilidades de cada segmento da sociedade na construção de um trânsito mais seguro, e a proposta de criação de um Fórum Permanente sobre Mobilidade Urbana e Humana, Multimodalidade, Gestão do Trânsito e Segurança Viária.

A proposta é reunir representantes dos governos municipal, estadual e federal, instituições de ensino e pesquisa, órgãos de fiscalização, entidades da sociedade civil organizada, setor produtivo e especialistas para discutir soluções integradas, elaborar estratégias e contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficientes para Manaus.

Segundo Mário Ricardo Carvalho, reduzir a violência no trânsito exige uma atuação conjunta baseada em educação, fiscalização, engenharia de tráfego, planejamento urbano e responsabilidade individual.

“O trânsito seguro é uma responsabilidade coletiva. Cada decisão tomada por um condutor pode representar a preservação ou a perda de uma vida. Manaus reúne condições para se tornar referência nacional em segurança viária, desde que haja compromisso permanente do poder público e da sociedade na construção de uma cultura de paz no trânsito”, destaca.

O levantamento também identifica os principais fatores associados aos acidentes fatais, entre eles o excesso de velocidade, a desatenção ao volante, a condução sob efeito de álcool e a participação em corridas ilegais. As colisões lideram as ocorrências com vítimas fatais, seguidas pelos atropelamentos, quedas de motocicletas e choques contra objetos fixos.

Em relação à distribuição geográfica, a Zona Leste concentrou 33,06% das mortes registradas no semestre, seguida pela Zona Norte, com 29,84%. Diante desse panorama, o estudo recomenda que campanhas educativas, reforço da fiscalização e investimentos em infraestrutura viária sejam priorizados nessas regiões.

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