Mãe acusa CRM-AM de omissão e cobra afastamento de médicos; entidade se cala

Movimento pede Justiça por vítimas de erros médicos no Amazonas

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Durante entrevista ao programa Esclarecendo os Fatos, exibida em abril, a representante do movimento Mães por Justiça, Ariana Malveira, criticou o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), acusando a entidade de omissão diante de casos de possíveis erros médicos que resultaram na morte de crianças no estado.

Segundo Ariana, o Conselho não adota sequer medidas iniciais para apurar as denúncias e responsabilizar os profissionais, respeitado o devido processo legal. Procurado pelo Foco, o CRM-AM não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem.

A representante afirma que os casos são levados ao Conselho, que informa a abertura de sindicâncias para apuração, mas, segundo ela, as investigações não chegam a uma conclusão conhecida pelas famílias. Ariana também cobra maior atuação das autoridades públicas na apuração dos casos.

Ela relata que, mesmo diante das denúncias, medidas cautelares, como o eventual afastamento preventivo de profissionais para garantir a apuração dos fatos, não são adotadas. Além disso, critica a demora na conclusão dos inquéritos e no andamento dos processos.

De acordo com Ariana, familiares das vítimas procuram o CRM-AM em busca de providências, mas recebem como resposta que a entidade não possui conselheiros em número suficiente para analisar todos os casos com a agilidade necessária.

O cenário chama atenção porque, segundo os relatos, o próprio órgão responsável pela fiscalização do exercício da medicina enfrentaria limitações estruturais para analisar a demanda de denúncias.

Mesma equipe médica

Ainda de acordo com Ariana Malveira, uma mesma equipe médica do Pronto-Socorro da Criança da Compensa estaria relacionada a mais de três casos de mortes de crianças. Ela afirma que essas ocorrências foram comunicadas ao CRM-AM, mas, segundo seu relato, nenhuma medida efetiva foi adotada.

Outro lado

O Foco procurou o Conselho Regional de Medicina do Amazonas solicitando esclarecimentos sobre as denúncias e enviou os seguintes questionamentos:

  1. Quantas denúncias relacionadas a possíveis erros médicos foram recebidas pelo CRM-AM nos últimos anos? Se possível, informar os dados por ano.
  2. Quantos procedimentos administrativos ou sindicâncias foram instaurados em decorrência dessas denúncias?
  3. Como funciona o procedimento de investigação de um possível erro médico no âmbito do CRM-AM?
  4. Quantos profissionais foram cautelarmente afastados ou sofreram suspensão do exercício profissional em razão desses procedimentos?
  5. O CRM-AM possui número suficiente de conselheiros e estrutura adequada para atender à demanda de processos e investigações?
  6. Quantos processos ético-profissionais foram concluídos no período informado e quais foram os principais desfechos (arquivamento, advertência, censura, suspensão, cassação ou outras penalidades)?

Até o momento, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação do Conselho.

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