Trânsito de Manaus já matou 147 pessoas e segundo semestre começa em alta

Dados do Observatório Nacional de Segurança Viária mostram aumento de 2,08% nas mortes entre janeiro e julho; julho teve alta de 5% em relação ao mesmo mês de 2025

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Os números são alarmantes: 147 pessoas morreram em sinistros de trânsito entre janeiro e julho deste ano, segundo levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária no Amazonas. O dado representa um aumento de três mortes em comparação com o mesmo período do ano passado.

O dado representa crescimento de 2,08% no acumulado do ano. O cenário preocupa ainda mais porque, após uma redução expressiva em junho, quando foram registradas 14 mortes, julho voltou a apresentar alta: 21 pessoas perderam a vida, contra 20 no mesmo mês do ano passado.
Entre janeiro e julho, março foi o mês mais letal, com 25 mortes. Janeiro e fevereiro registraram 21 vítimas cada; abril teve 22; maio, 23; junho, 14; e julho, 21.

Colisões e motocicletas estão entre os principais pontos de atenção

As colisões lideram os registros fatais, com 55 mortes, seguidas por atropelamentos (41), quedas de motocicleta (26) e choques contra objetos fixos (19).

Um dos dados que mais chama atenção é o crescimento de 44,44% nas mortes provocadas por quedas de motocicleta, reforçando a necessidade de políticas específicas para motociclistas, além de fiscalização e ações permanentes de educação no trânsito.

Zona Leste e Zona Norte concentram 60% das mortes

A violência no trânsito também apresenta forte concentração territorial. A Zona Leste registrou 47 mortes, enquanto a Zona Norte contabilizou 41.

Juntas, as duas regiões concentram aproximadamente 60% das vítimas fatais registradas em Manaus nos primeiros sete meses de 2026, indicando áreas que, segundo o levantamento, precisam receber atenção prioritária em fiscalização, engenharia de tráfego e educação para o trânsito.

Além das mortes, mais de 17 mil atendimentos a pessoas lesionadas em sinistros de trânsito foram registrados na rede pública de saúde do Amazonas até o final de junho.

Para o professor Mário Ricardo, mestre em Engenharia e representante do Observatório Nacional de Segurança Viária no Amazonas, os números mostram que Manaus precisa mudar a forma de enfrentar a violência no trânsito.

“A segurança viária não pode ser tratada apenas depois que o sinistro acontece. Precisamos identificar os riscos antes e agir preventivamente. Nenhuma morte no trânsito deve ser encarada como normal ou inevitável.”

Especialista propõe Fórum de Mobilidade e projeto de proteção

Diante do cenário, Mário Ricardo defende a realização de um Fórum de Debates sobre Mobilidade Urbana, Multimodalidade e Trânsito, reunindo poder público, especialistas, empresas e sociedade civil para discutir soluções para a mobilidade de Manaus*

Também é apresentado o projeto “Me Sinto Seguro”, que propõe uma rede integrada de proteção envolvendo órgãos públicos, empresas, escolas, famílias, igrejas, condomínios e meios de comunicação.

A proposta é fortalecer a prevenção e fazer com que a segurança viária seja tratada como uma responsabilidade coletiva.

“Precisamos colocar a vida acima da pressa. Cada escolha no trânsito pode representar a diferença entre chegar em casa ou não voltar. A mudança depende da união entre poder público, iniciativa privada e sociedade”, afirma Mário Ricardo.

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