Eduardo Braga busca terceiro mandato seguido ao lado de Lula e Omar, repetindo promessas de quem está no poder há 36 anos

Defesa da Zona Franca e asfaltamento da BR-319 voltam ao centro do discurso de um grupo que atravessou sucessivos governos, mas ainda apresenta como solução os mesmos problemas que não conseguiu resolver

Compartilhar em:

Eduardo Braga tenta conquistar, em 2026, sua terceira eleição consecutiva para o Senado apoiado em dois de seus principais aliados políticos: o presidente Lula e o senador Omar Aziz. A estratégia reúne três personagens que ocupam posições de destaque na política nacional e amazonense há 36 anos, mas continuam recorrendo às mesmas bandeiras apresentadas em eleições anteriores.

A defesa da Zona Franca de Manaus e o asfaltamento da BR-319 voltaram a aparecer como pilares desse discurso. São temas fundamentais para o futuro do Amazonas, porém utilizados repetidamente por um grupo que já teve tempo, influência e poder suficientes para apresentar resultados definitivos.

Braga foi governador, ministro e exerce o segundo mandato consecutivo no Senado. Omar também governou o Amazonas e ocupa uma cadeira no Senado. Lula, por sua vez, está em seu terceiro mandato como presidente da República. Juntos, eles não podem se apresentar como novidades ou observadores distantes dos problemas enfrentados pelo Estado.

Pelo contrário: participaram diretamente das decisões tomadas em Brasília e no Amazonas durante boa parte dos últimos 36 anos.

A BR-319 talvez seja o exemplo mais evidente. A reconstrução e o asfaltamento da rodovia são prometidos há décadas, especialmente durante os períodos eleitorais. Apesar da proximidade política de Braga e Omar com Lula, o Amazonas continua sem uma ligação rodoviária plenamente pavimentada com o restante do país.

A pergunta que começa a ganhar força é direta: se o trio acumula tantos anos de poder e influência, por que a BR-319 ainda permanece como promessa?

O mesmo questionamento alcança a Zona Franca de Manaus. Braga e Omar apresentam-se novamente como defensores do modelo econômico, enquanto Lula é apontado como o aliado capaz de garantir segurança ao Polo Industrial. Entretanto, foi durante governos e votações comandados por essas mesmas forças políticas que a ZFM precisou enfrentar ameaças, insegurança jurídica e disputas provocadas por decisões tomadas em Brasília.

Defender a Zona Franca é obrigação de qualquer representante do Amazonas. Transformar essa defesa permanente em promessa eleitoral, depois de tantos mandatos, evidencia a dificuldade de apresentar uma agenda realmente nova para o Estado.

Eleito senador em 2010, Braga deixou o cargo para assumir um ministério no governo Dilma Rousseff e voltou a vencer a disputa pelo Senado em 2018. Agora, tenta garantir mais oito anos de mandato. Caso seja reeleito, poderá prolongar sua presença na representação do Estado em Brasília até 2035.

A candidatura aposta na estrutura política formada por Lula, Omar e partidos aliados, além de uma intensa movimentação pelo interior. O desafio está em convencer o eleitor de que aqueles que passaram 36 anos ocupando os principais espaços de poder serão capazes de resolver, no próximo mandato, aquilo que não solucionaram nos anteriores.

O discurso da experiência, portanto, também pode produzir o efeito contrário. Quanto maior o tempo no poder, maior é a responsabilidade sobre os resultados e também sobre os problemas que permaneceram sem resposta.

Braga, Lula e Omar querem novamente ocupar o centro da política amazonense apresentando-se como solução. Mas o eleitorado de 2026 poderá cobrar uma prestação de contas mais profunda: quais foram os resultados concretos entregues depois de 36 anos de mandatos, ministérios, governos e influência em Brasília?

O trio promete defender a Zona Franca, trabalhar pela BR-319 e promover o desenvolvimento do Amazonas. São compromissos conhecidos, repetidos em praticamente todas as eleições recentes.

Depois de 36 anos no poder, contudo, já não basta renovar promessas. Braga e seus aliados terão de explicar por que continuam oferecendo como projeto de futuro soluções para problemas que atravessaram e, em muitos casos, ajudaram a criar ou não conseguiram resolver.

Compartilhar em: