Especialistas criticam aumento de deputados federais; custo deve gerar rombo milionário nos cofres públicos

Um parlamentar federal custa, em média, R$ 3,2 milhões ao ano

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Especialistas ouvidos pelo Foco no Fato criticaram o aumento no número de deputados federais após votação no Senado na última quarta-feira (25). Com mais 18 cadeiras, a Câmara Federal passará dos atuais 513 para 531 parlamentares. O custo para bancar mais 18 deputados deve gerar um rombo milionário nos cofres públicos. 

De acordo com um estudo da própria Direção-Geral da Câmara, o contribuinte precisará desembolsar R$ 65 milhões para custear todos os gastos que envolverão os novos deputados, entre salários, benefícios e custos indiretos.

O cientista social e advogado Carlos Santiago criticou a medida e afirmou que o país não precisa de mais deputados, mas dar prioridade para acabar com os privilégios.

“O país não precisa de mais deputados federais e estaduais. A prioridade é melhorar a qualidade da política e dos políticos, além de eliminar as mordomias de membros dos poderes, em especial dos legisladores e de magistrados que ganham bons subsídios e ainda possuem verbas indenizatórias para gastos”, explicou Carlos Santiago. 

Já o cientista político e advogado Helso Ribeiro considerou o aumento como “lastimável” e afirmou que o Congresso Nacional deveria seguir a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a redistribuição das cadeiras, ao invés do aumento. 

“A redistribuição deveria ser feita de acordo com o Censo. O Amazonas já deveria ter 10 deputados. O presidente da Câmara decidiu aumentar, é o jeitinho brasileiro. Eu achei isso lastimável”, ressaltou o advogado. 

Carlos Santiago lembra que o aumento no número de deputados não significa melhorias, mas sim maiores gastos para os cofres públicos, em um momento em que o governo enfrenta dificuldades para equilibrar as contas e manter a prestação de serviços públicos essenciais, diante de diversas medidas de corte de despesas.

“Só mais dinheiro público gasto. É preciso mudar, e a mudança começa com o voto consciente, o eleitor votando com responsabilidade, objetivando o bem comum. Se o eleitor não mudar, continuar elegendo péssimos políticos, o país continuará criando vagas de deputados e distante dos anseios populares”, disse.

Para Helso Ribeiro, se a população fosse consultada sobre o acréscimo de parlamentares, votaria pela diminuição de parlamentares. 

“Se perguntasse à população, eu não tenho dúvida, três hipóteses: manter os 513, aumentar para 531 como a Câmara fez ou diminuir para 400. Pode perguntar para a população, votariam pela redução. A população está enojada com a classe politica”, disse.

Após aprovação no Senado, a medida passará pela análise do presidente Lula, que irá decidir se sanciona ou não a nova medida. A lei começará a valer a partir de 2027.

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