A cada quatro anos, BR-319 volta ao palanque: Eduardo e Omar escolhem rodovia para passar feriado de 7 de Setembro

No feriado de 7 de Setembro, Braga e Omar estiveram na estrada acompanhando serviços realizados em trecho que recebe pavimentação

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Senadores percorreram trecho que recebe serviços de pavimentação e voltaram a apresentar a recuperação da estrada como prioridade; desafio, porém, continua sendo transformar visitas, anúncios e promessas eleitorais em uma ligação terrestre definitiva para o Amazonas

A BR-319 voltou a ocupar o centro do debate político no Amazonas. E, como ocorre repetidamente às vésperas das eleições, a rodovia foi novamente escolhida como cenário para discursos, gravações e demonstrações públicas de compromisso.

Nesta segunda-feira, feriado de 7 de Setembro, os senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD) estiveram na estrada acompanhando serviços realizados em um trecho que recebe pavimentação.

A visita oferece imagens positivas: máquinas trabalhando, asfalto sendo aplicado e dois dos políticos mais experientes do Amazonas caminhando sobre a rodovia. O problema está na distância entre esse pequeno recorte e a realidade enfrentada há décadas por quem precisa percorrer a BR-319 inteira.

Para o amazonense, a cena desperta uma pergunta inevitável: desta vez a rodovia será realmente concluída ou voltará a desaparecer da agenda nacional depois que as urnas forem fechadas?

A recuperação da BR-319 atravessa sucessivos governos, mandatos parlamentares e campanhas eleitorais. A cada quatro anos, candidatos retomam o tema, anunciam articulações em Brasília e apresentam novos cronogramas. Passada a eleição, entretanto, a rodovia continua dependendo de licenças, decisões judiciais, projetos, licitações e recursos públicos.

Isso não significa que os avanços registrados devam ser ignorados. Obras de manutenção, pavimentação de segmentos e substituição de pontes são importantes para melhorar a trafegabilidade e a segurança dos usuários.

Em abril, o governo federal anunciou a autorização para obras que contemplariam a pavimentação de 339 quilômetros do chamado Trecho do Meio, além da construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu. Eduardo Braga e Omar Aziz defenderam a iniciativa no plenário do Senado e afirmaram que as intervenções seriam fundamentais para a logística da Região Norte.⁠

O anúncio representa uma perspectiva relevante. Mas o Amazonas já aprendeu que autorização, promessa, licitação e obra efetivamente concluída são etapas muito diferentes.

Eduardo Braga e Omar Aziz não são parlamentares iniciantes tentando conhecer agora os problemas do estado. Ambos já governaram o Amazonas, exerceram diferentes cargos públicos e acumulam décadas de protagonismo político.

Essa experiência amplia a capacidade de articulação dos dois senadores, mas também aumenta a responsabilidade que carregam pelos resultados apresentados à população.

O amazonense não precisa apenas de representantes que visitem a BR-319. Precisa de uma bancada capaz de construir uma solução técnica, ambiental, jurídica e orçamentária que sobreviva às trocas de governo e às conveniências eleitorais.

Se a recuperação da rodovia é realmente prioridade, o compromisso não pode se limitar a uma caminhada sobre alguns quilômetros de asfalto novo. Deve envolver acompanhamento público dos contratos, cobrança de cronogramas, garantia de recursos, cumprimento das exigências ambientais e prestação permanente de contas à sociedade.

A presença de Eduardo Braga e Omar Aziz na BR-319, em pleno 7 de Setembro, tem valor simbólico. Mas também ocorre durante uma campanha na qual Braga busca permanecer no Senado e Omar tenta retornar ao Governo do Amazonas.

Essa coincidência política não invalida a agenda. Apenas torna legítimo e necessário que a população examine o momento da visita, os resultados concretos já alcançados e aquilo que permanece apenas no terreno das promessas.

A BR-319 não pode continuar sendo uma estrada que recebe mais atenção durante campanhas eleitorais do que fora delas. Também não pode ser tratada como obra simples, indiferente aos desafios ambientais e às exigências legais que envolvem o coração da Amazônia.

O Amazonas precisa da rodovia recuperada, trafegável e ambientalmente responsável. Necessita de planejamento contínuo, fiscalização rigorosa e resultados mensuráveis não somente de imagens produzidas sobre pequenos trechos asfaltados.

Depois de tantas campanhas, o eleitor tem o direito de exigir mais do que anúncios e visitas.

No próximo 7 de Setembro, a pergunta não deveria ser quais políticos estarão novamente na BR-319. A pergunta deveria ser quantos quilômetros foram definitivamente entregues, quais obstáculos foram superados e quando o Amazonas finalmente deixará de depender de uma promessa que reaparece, pontualmente, a cada quatro anos.

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