Levantamento aponta aumento de 1,82% nas mortes em relação ao mesmo período de 2025
Alarmante: Manaus registra 168 mortes no trânsito em oito meses

Manaus registrou 168 mortes em acidentes de trânsito entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados consolidados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU). No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 165 vítimas fatais, o que representa um aumento de 1,82%.
Os números mostram que as zonas Leste e Norte concentram mais da metade das mortes registradas na capital amazonense. Juntas, as duas regiões somaram 95 vítimas fatais, o equivalente a 56,55% do total.
Para o professor Mário Ricardo, mestre em Engenharia e representante do Observatório Nacional de Segurança Viária no Amazonas, os dados reforçam a necessidade de ampliar medidas de prevenção, fiscalização e educação no trânsito.
“Cada número representa uma vida interrompida e uma família que passa a conviver com uma ausência irreparável. A segurança no trânsito precisa ser tratada como uma responsabilidade coletiva”, afirmou.
Março teve maior número de mortes
De acordo com o levantamento, janeiro e fevereiro registraram 21 mortes cada. Março teve o maior número do período, com 25 vítimas fatais. Abril contabilizou 22; maio, 23; junho, 16; julho, 22; e agosto terminou com 18 mortes.
Na comparação com os mesmos meses de 2025, fevereiro apresentou crescimento de 50% no número de mortes, enquanto janeiro registrou alta de 40%.
Entre os comportamentos apontados como fatores de risco estão excesso de velocidade, falta de atenção, consumo de bebidas alcoólicas e participação em rachas.
“Uma simples distração pode ser fatal. Antes de acelerar, ultrapassar de maneira indevida ou dirigir sob efeito de álcool, é preciso lembrar que existe uma vida esperando por aquela pessoa em casa”, destacou Mário Ricardo.
Quedas de motocicleta crescem 47,62%
As colisões lideram entre os tipos de acidentes fatais registrados nos oito primeiros meses do ano, com 62 ocorrências. Em seguida aparecem os atropelamentos, com 44; quedas de motocicleta, com 31; e choques contra objetos fixos, com 20.
As quedas de motocicleta tiveram a maior alta entre as categorias analisadas, com crescimento de 47,62%. Já os atropelamentos apresentaram redução de 21,43%.
Leste e Norte concentram mais da metade das mortes
A Zona Leste registrou 50 mortes entre janeiro e agosto, representando 29,76% do total. A Zona Norte aparece em seguida, com 45 vítimas fatais, ou 26,79%.
Somadas, as duas regiões concentraram 56,55% das mortes no trânsito de Manaus durante o período.
Para Mário Ricardo, a concentração dos casos pode servir de parâmetro para direcionar ações de fiscalização e prevenção.
“Quando identificamos onde estão concentrados os maiores índices de sinistros fatais, temos uma oportunidade de direcionar recursos e ações de forma mais estratégica. As zonas Leste e Norte precisam receber atenção especial, sem deixar de atuar em toda a cidade”, afirmou.
Especialista defende fórum sobre mobilidade
Diante dos números, Mário Ricardo defende a realização de um Fórum de Debates sobre Mobilidade Urbana, Multimodalidade e Trânsito, reunindo representantes do poder público, especialistas e integrantes da sociedade civil.
A proposta é discutir medidas para reduzir acidentes e mortes, além de contribuir para o planejamento da mobilidade e da segurança viária em Manaus.
Outra iniciativa defendida pelo especialista é o projeto “Me Sinto Seguro”, que pretende envolver órgãos públicos, empresas, escolas, famílias, condomínios, igrejas e veículos de comunicação em ações de conscientização.
“A cidade precisa sair do anonimato e se tornar protagonista na construção de um trânsito mais seguro. A pressa não pode ser maior do que a prudência, e nenhum compromisso pode ser mais importante do que voltar para casa com segurança”, ressaltou.










