“Benício faz parte dessa má formação”, diz família após resultado negativo de faculdades de medicina no AM

Menino morreu após receber superdosagem de adrenalina direto na veia

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“Benício fez parte dessa má formação de médicos”: foi assim que a família do menino, de apenas 6 anos, que morreu após imperícia médica, se manifestou após o resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) apontar que duas faculdades de medicina no Amazonas tiveram o pior resultado da avaliação, recebendo conceito 1.

Entre as faculdades com nota considerada insuficiente está a Universidade Nilton Lins, onde a médica Juliana Brasil — responsável pelo atendimento de Benício — se formou em 2019. O Centro Universitário Ceuni (Fametro), ligado à pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo, também está na lista.

A médica foi responsável por prescrever uma superdosagem de adrenalina que acabou levando à morte do menino Benício Xavier de Freitas, em 23 de novembro de 2025, no Hospital Santa Júlia, localizado no Centro de Manaus.

O caso ganhou repercussão nacional e chamou atenção pela falta de preparo da médica e da técnica de enfermagem Raiza Bentes, responsável pela aplicação do medicamento. As duas são investigadas pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).

Os pais de Benício criaram um perfil dedicado a falar sobre os desdobramentos envolvendo a morte do filho. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ao comentar a má avaliação das instituições de ensino no exame que avalia estudantes de medicina, o perfil afirmou que Benício foi vítima de médicos considerados mal formados.

No próprio perfil, o casal também compartilhou informações sobre os indícios negativos das faculdades do Amazonas na avaliação médica.

Saiba o que é o exame

O Ministério da Educação (MEC) apresentou os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. Desse total, cerca de 30% tiveram desempenho insatisfatório, quando menos de 60% dos estudantes foram considerados proficientes.

Entre as instituições do Amazonas com conceito insatisfatório estão a Universidade Nilton Lins e o Centro Universitário Ceuni-Fametro.

Ambas as instituições entram automaticamente no grupo mais crítico da avaliação e passam a sofrer restrições severas impostas pelo MEC.

Entenda o caso do menino Benício

O menino Benício Xavier, de apenas 6 anos, morreu após receber uma alta dosagem de adrenalina por via intravenosa, em novembro de 2025, para o tratamento de um quadro de laringite, no Hospital Santa Júlia, em Manaus, quando o procedimento correto seria a administração por inalação.

A investigação policial aponta erro na prescrição feita pela médica Juliana Brasil e na administração do medicamento pela técnica de enfermagem Raiza Bentes, que alega ter seguido a ordem médica. A situação teria sido agravada por relatos de que ela foi alertada sobre o erro antes da aplicação.

A tragédia expôs falhas na segurança do paciente e gerou pedidos de prisão e afastamento das profissionais envolvidas. O caso segue sob investigação.

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