Candidato responsabilizou senadores pela situação da BR e sinalizou que pretende transformar a rodovia em uma de suas principais bandeiras eleitorais
Cabo Daciolo entra na disputa mirando Omar e Braga e coloca BR-319 no centro da campanha

Em uma de suas primeiras manifestações após entrar na corrida pelo Governo do Amazonas, Cabo Daciolo escolheu dois alvos de peso: Omar Aziz e Eduardo Braga. O candidato responsabilizou os senadores pela situação da BR-319 e sinalizou que pretende transformar a rodovia em uma de suas principais bandeiras eleitorais.
A entrada de Cabo Daciolo na disputa pelo Governo do Amazonas ganhou contornos mais claros com sua primeira ofensiva política. Em publicação que repercute declarações do candidato, ele direciona críticas aos senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), associando os dois à situação enfrentada há décadas por quem depende da BR-319.
Daciolo não fala apenas a partir do discurso político. Ele já havia anunciado, em março, que percorreria a BR-319 para conhecer pessoalmente as condições da estrada e as dificuldades enfrentadas pelos amazonenses. Na ocasião, afirmou que queria entender por que, apesar da sucessão de governos e lideranças políticas, a população continuava cobrando a reconstrução da rodovia.
Agora, como candidato ao Governo do Amazonas pelo Mobiliza, legenda que oficializou sua entrada na corrida estadual, Daciolo transforma essa experiência em munição eleitoral.
A estratégia chama atenção principalmente pela escolha dos personagens. Em vez de pulverizar críticas entre os vários concorrentes, Daciolo mira justamente Omar e Braga, duas das figuras de maior longevidade e influência na política amazonense.
Segundo a publicação de Bryan Dolzane apresentada nas redes sociais, Daciolo relembrou sua passagem pela BR-319 em período de fortes chuvas, classificou o cenário encontrado como “caótico” e atribuiu responsabilidade política a Omar e Braga pela falta de solução definitiva para a infraestrutura da região.
Trata-se, evidentemente, de uma acusação política de Daciolo, e não de uma conclusão factual sobre responsabilidade individual pela situação da rodovia. A BR-319 é uma rodovia federal, e sua reconstrução envolve diferentes governos, órgãos federais, processos de licenciamento ambiental e decisões acumuladas ao longo de décadas.
Ainda assim, eleitoralmente, o movimento de Daciolo é bastante claro: colocar sobre adversários que acumulam décadas de atuação política no Amazonas o peso da cobrança por problemas históricos do estado.
A escolha da BR-319 também não parece casual. Poucos temas possuem tamanho potencial para mobilizar simultaneamente Manaus, o interior e setores produtivos.
Ao assumir a rodovia como bandeira e dizer que esteve pessoalmente no trecho, Daciolo tenta construir uma narrativa simples para o eleitor: “eu fui lá, vi o problema e quero saber por que ainda não resolveram”.
É um discurso de fácil compreensão e que permite ao candidato confrontar políticos mais experientes justamente pelo tempo que passaram ocupando posições de poder.
Daciolo, que já disputou a Presidência da República em 2018 e obteve mais de 31 mil votos no Amazonas naquele pleito, chega à eleição estadual carregando um estilo político próprio, marcado por discursos contundentes e forte apelo popular.
Se a primeira fala servir como indicativo do que pretende fazer durante a campanha, Daciolo não veio ao Amazonas apenas para participar da eleição. Veio disposto a provocar, apontar responsáveis e colocar velhos problemas do estado na conta de quem está há mais tempo na política.
E, ao escolher Omar Aziz, Eduardo Braga e a BR-319 logo na largada, Cabo Daciolo deixa uma mensagem aos adversários: sua candidatura pretende fazer barulho.









