Postura de enfrentamento pode ampliar espaço do candidato entre conservadores; pesquisa Pontual mostra disputa apertada na capital
Cidade confronta Omar e disputa o eleitor de direita em Manaus

O confronto com Omar Aziz tornou-se uma das apostas políticas de Roberto Cidade na reta final da disputa pelo Governo do Amazonas. Ao enfrentar diretamente o adversário, Cidade procura ocupar um espaço importante em Manaus: o de candidato capaz de reunir eleitores que rejeitam Omar e desejam uma alternativa competitiva para derrotá-lo.
A estratégia combina firmeza nos debates com a tentativa de transformar a oposição ao senador em apoio eleitoral. A leitura política é que, para uma parcela do eleitorado conservador, a escolha para o governo pode considerar tanto a identificação partidária quanto a disposição de confrontar o principal adversário.
Os números da pesquisa Pontual divulgada em 30 de setembro mostram Cidade competitivo na capital. Em Manaus, ele aparece com 24,1% das intenções de voto, enquanto Omar registra 24,0%. Maria do Carmo tem 21,6%, e David Almeida, 17%. A diferença de apenas 0,1 ponto entre Cidade e Omar não representa vantagem estatística.
Há, entretanto, uma distinção necessária: os levantamentos consultados não comprovam que Cidade tenha crescido em Manaus por conquistar eleitores de direita. Nas rodadas da Pontual divulgadas em 25 e 30 de setembro, o candidato apresentou os mesmos 24,1% na capital. A hipótese de atração do voto conservador é uma interpretação da estratégia de campanha, e não uma transferência de votos demonstrada pelos dados disponíveis.
Dentro desse cenário, a postura diante de Omar pode funcionar como um diferencial. Cidade procura transmitir ao eleitor que dispõe de condições políticas para enfrentar o senador e disputar uma eventual segunda etapa da eleição.
Para os conservadores que priorizam impedir a vitória de Omar, esse posicionamento pode pesar na decisão. O desafio de Cidade é transformar a repercussão dos confrontos em confiança: demonstrar que a firmeza diante do adversário vem acompanhada de propostas e capacidade de governar.
Essa disputa também envolve Maria do Carmo, candidata do PL. Cidade precisa convencer uma parcela do eleitorado de direita de que sua candidatura merece apoio, mesmo diante da presença de uma representante do partido de Bolsonaro na corrida estadual. Trata-se de uma competição por credibilidade, identificação e percepção de viabilidade eleitoral.
A capital representa um campo decisivo para essa movimentação. Uma ampliação do apoio em Manaus pode fortalecer Cidade na disputa por uma vaga no segundo turno e aumentar sua capacidade de reunir eleitores de diferentes candidaturas.
O enfrentamento a Omar oferece uma oportunidade política, mas seu resultado depende da resposta das urnas. Para Cidade, o objetivo é claro: fazer com que o eleitor que aprova sua postura também escolha seu nome para governar o Amazonas.
A pesquisa Pontual de 30 de setembro ouviu 3.000 eleitores entre os dias 23 e 29 de setembro. O levantamento está registrado no TSE sob o número AM-00847/2026, com margem de erro geral de 1,79 ponto percentual e nível de confiança de 95%.










