Coluna 02 do vereador Rodrigo Guedes

Após a edição do Decreto do presidente Jair Bolsonaro que reduziu em 25% o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), viu-se um festival de manifestações pró e contra. Daqueles que tradicionalmente restringem-se a lutar pratica e exclusivamente pelas manutenções de benefícios fiscais, tirando a velha casquinha político-eleitoral, mas nunca procuraram trabalhar verdadeiramente o surgimento de uma …

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Após a edição do Decreto do presidente Jair Bolsonaro que reduziu em 25% o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), viu-se um festival de manifestações pró e contra. Daqueles que tradicionalmente restringem-se a lutar pratica e exclusivamente pelas manutenções de benefícios fiscais, tirando a velha casquinha político-eleitoral, mas nunca procuraram trabalhar verdadeiramente o surgimento de uma matriz econômica alternativa; Aos que, por questão política, em defender o presidente e seu lado político mais do que a redução da carga tributária em si, restringiram-se a manifestar apoio ao decreto e dizer que o Amazonas precisa deixar de ser refém da ZFM, pugnando pelo surgimento de uma nova matriz econômica, porém também sem trabalhar para implantar uma, como se fossem oposição, mas não são, pois estão no governo. 

O fato é que o Amazonas precisa, sim, do surgimento de uma matriz econômica alternativa e complementar à ZFM. Vejam: falei alternativa e complementar, não substitutiva, pelo menos não nesse momento. O surgimento de uma matriz econômica não acontece da noite pro dia, necessita-se de pelo menos uma década para acontecer. E não foi feito nada ainda para que isso se concretize, nem pelos governos anteriores e nem pelo atual. 

Para que pudéssemos abrir mão das vantagens competitivas da ZFM teríamos que, de partida, ter uma rede logística que nos permitisse tal possibilidade e não temos, pois por uma guerra judicial o asfaltamento da BR-319 não saiu do papel. 

Logo, concordo em gênero e número que precisamos de uma matriz econômica alternativa, porém só falar isso e deixar o Amazonas virar um faroeste pelo efeito em cascata de tirarmos nesse momento a nossa única vantagem competitiva não é a solução, ou seja, só reclamar que os governantes até então nunca procuraram tirar essa faca do pescoço do nosso estado. Cinco mil empregos perdidos transformam-se facilmente em cinquenta mil, pelo efeito dominó da economia. 

É preciso que os Governos Federal, Estadual e Municipal comecem a trabalhar de fato para o surgimento de uma alternativa econômica, podendo ser o ecoturismo, a biotecnologia, a economia de crédito de carbono, entre outras. Não existe Amazonas x Brasil, o Amazonas faz parte do Brasil e não pode ser abandonado sem uma alternativa. 

O próprio decreto e outros pretéritos por si só afugentam novos investidores que nunca vão aportar recursos em um ambiente de instabilidade e insegurança jurídica. A ZFM é um avião que precisa ser pousado e consertado, não derrubado, como diz o Engo. Rafael Asssayag.

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