No primeiro momento, o tarifaço anunciado por Donald Trump, com 50% de sobretaxa sobre produtos brasileiros, pareceu um balde de água fria nas estratégias da direita brasileira. A narrativa foi distorcida, e setores da imprensa logo correram para colocar a culpa em Bolsonaro e seu grupo. Tarcísio teve que se explicar. O agro reclamou. O …
Coluna 72 de Gabriel F. Melo | Tarifaço atrapalhou a direita agora, mas pode afundar Lula em 2026

No primeiro momento, o tarifaço anunciado por Donald Trump, com 50% de sobretaxa sobre produtos brasileiros, pareceu um balde de água fria nas estratégias da direita brasileira. A narrativa foi distorcida, e setores da imprensa logo correram para colocar a culpa em Bolsonaro e seu grupo. Tarcísio teve que se explicar. O agro reclamou. O governo federal, claro, tentou se blindar. Mas será que esse efeito é duradouro?
A resposta pode surpreender: não só o tarifaço não é uma derrota definitiva, como pode ser o catalisador da virada política contra Lula em 2026.
📉 O impacto imediato: ruído político, não colapso
De fato, no curtíssimo prazo, a tarifa causou desconforto. Tarcísio Freitas foi pressionado a se posicionar. O agro, que representa uma parcela crucial da base da direita, emitiu nota criticando os impactos na exportação de grãos, carnes e café. A mídia tratou como “tiro no pé” do bolsonarismo.
Mas é preciso olhar além do ruído: quem definiu a tarifa foi Trump, não Eduardo ou Jair Bolsonaro. A carta enviada a Lula deixa isso claro. Trump apontou diretamente a perseguição política a Bolsonaro como motivação, citando até o ex-presidente com nome e sobrenome, algo raríssimo em documentos diplomáticos dessa natureza.
Isso, por si só, já elevou Bolsonaro de volta ao cenário geopolítico global como um ator com aliados internacionais fortes.
💥 O efeito econômico está apenas começando
Segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da LCA Consultores, o impacto direto da tarifa pode cortar até 0,5% do PIB brasileiro nos próximos 12 meses.
As exportações para os EUA somam 10% do total das vendas externas do Brasil, especialmente nos setores de siderurgia, proteína animal, têxteis e peças industriais. Se a tarifa se mantiver, ou pior, subir para os 100% que Eduardo Bolsonaro diz que Trump ainda cogita, o desemprego vai bater forte no agronegócio, nas fábricas e no transporte.
Enquanto isso:
O dólar já rompeu a casa dos R$ 5,60, pressionando combustíveis e alimentos.
A inflação pode voltar a dois dígitos até o final do ano, caso a indexação dos insumos básicos se acelere.
A Bolsa caiu mais de 4% desde o anúncio da tarifa, com fuga de capital estrangeiro e aumento da aversão ao risco Brasil.
O governo terá que cortar gastos públicos ou subir impostos se quiser compensar a perda de arrecadação com a queda das exportações.
🤦♂️ Lula perde o discurso e corre risco de naufrágio econômico
O governo Lula, que até aqui se apoiava na narrativa de “recuperação econômica”, já começa a sentir os primeiros abalos. E mais do que isso, a pesquisa Quaest mais recente mostra que a desaprovação do governo segue 10 pontos percentuais acima da aprovação, um cenário alarmante, ainda mais grave se considerarmos que os piores efeitos da crise econômica ainda nem começaram a ser sentidos pela população.
Lula não tem mais como culpar o passado. Agora o futuro, e os erros, são todos dele.
Se esses impactos econômicos se intensificarem nos próximos meses, como tudo indica, o governo vai começar a sangrar politicamente, e o que hoje parece apenas um desconforto pontual pode virar sufoco real, com potencial desastroso para sua tentativa de reeleição em 2026.
⏳ A janela da virada: quem souber esperar, vai colher
Pode até parecer que a direita foi pega de surpresa. Mas quem enxerga o jogo sabe, a verdadeira virada começa quando a economia parar de sustentar a popularidade do governo.
Tarcísio e Bolsonaro podem ter perdido alguns pontos no curto prazo. Mas no momento em que o cidadão sentir no bolso, gasolina a R$ 8, carne de volta a R$ 50 o quilo, inflação corroendo o salário, a esquerda vai correr para inventar desculpas. E o povo já cansou de desculpa.
A direita, se souber manter a serenidade, vai se apresentar como a alternativa de ordem, crescimento e respeito à liberdade. E com o mundo assistindo ao cerco contra Bolsonaro, até mesmo o discurso de perseguição política começa a ganhar força e legitimidade internacional.
✅ Conclusão: o tarifaço foi só o primeiro round
Trump lançou a pedra. O mercado sentiu. Lula sorriu. Mas a economia é como maré, ela volta, e quando voltar, pode engolir o governo.
Se a oposição souber articular, organizar seu discurso e apresentar soluções viáveis, o tarifaço que hoje parece um problema para a direita, pode ser exatamente o gatilho da derrocada de Lula em 2026.
Porque inflação, desemprego e insegurança econômica sufocam qualquer governo, e Lula, desta vez, não terá a quem culpar.











