COLUNA 79 DE FRED MELO | ZFM: Está chegando a hora do nosso modelo de desenvolvimento beber água…

A Zona Franca de Manaus (ZFM) foi um modelo de desenvolvimento econômico criado em 1967 pelo então presidente General Castelo Branco. Seu conceito baseava-se em três pilares: proteção, integração e preservação. No entanto, após 57 anos de existência, a ZFM tem data prevista para encerrar suas atividades, em 2073. Durante todo esse período, nenhum outro …

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A Zona Franca de Manaus (ZFM) foi um modelo de desenvolvimento econômico criado em 1967 pelo então presidente General Castelo Branco. Seu conceito baseava-se em três pilares: proteção, integração e preservação.

No entanto, após 57 anos de existência, a ZFM tem data prevista para encerrar suas atividades, em 2073. Durante todo esse período, nenhum outro vetor de desenvolvimento econômico foi criado no estado do Amazonas. Os governadores do Amazonas, ao longo dos anos, não tiveram a capacidade de compreender o quão importante seria buscar a independência de uma única matriz econômica.

Nos últimos quarenta anos, testemunhamos uma falsa defesa da Zona Franca de Manaus, na qual o modelo serviu apenas como um palco para políticos de diferentes partidos e ideologias. Enquanto isso, o Amazonas continuou a cair nesse conto de fadas, e agora o modelo está ameaçado de extinção.

Possuímos grandes potenciais, como turismo, mineração, fármacos, gás, petróleo, potássio, entre outros. Poderíamos enumerar dezenas de possibilidades, mas infelizmente preferimos ficar na retórica fácil, sempre jogando para a torcida. O famigerado arcabouço fiscal proposto pelo governo Lula nos conduzirá a essa terrível realidade, e se for aprovado no Congresso, seremos relegados a um porto de lenha por algum tempo.

Outro fator agravante é o inexplicável isolamento em relação ao restante do Brasil. Não temos acesso por meio de vias terrestres e a logística é feita exclusivamente por balsas, o que resulta em custos exorbitantes. O asfaltamento da BR-319, por exemplo, representaria para nós o equivalente a duas Zonas Francas de Manaus.

Devemos sempre lembrar que, quando o governo Lula fala sobre fundos compensatórios, não inclui a manutenção dos mais de 100 mil empregos diretos e 400 mil indiretos gerados pelo Polo Industrial de Manaus. Esses números eram agradáveis aos ouvidos de nossos parlamentares de esquerda, mesmo quando o ex-ministro Paulo Guedes alertava que esse modelo não estava mais adequado à realidade dos tempos atuais.

O atual senador Omar Aziz, principal aliado do presidente Lula no Amazonas, apresentou-se durante sua campanha como o “senador da vida”. No entanto, ele está testemunhando seu líder praticamente decretar o fim do nosso atual modelo. Tudo isso, ratifico, se esse verdadeiro calabouço fiscal for aprovado.

Ao observarmos a acalorada discussão sobre a aprovação do acabouço fiscal do PT, podemos afirmar uma coisa: éramos felizes com Bolsonaro e Paulo Guedes, e muitos sabiam disso. Infelizmente, não fomos a maioria.

Como bem disse o governador Wilson Lima: acabar com a Zona Franca de Manaus é um convite para incendiar a floresta.

Que phase!

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