Comando Vermelho pode ter se infiltrado na Aleam por meio de ex-servidora

Adriana é suspeita de integrar o chamado “núcleo político” da organização criminosa

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Os tentáculos do Comando Vermelho podem ter se infiltrado na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) por meio da ex-secretária de gabinete de liderança da Casa, Adriana Almeida Lima, presa na manhã desta sexta-feira (20) pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), no âmbito da Operação Erga Omnes.

A operação investiga o chamado “núcleo político” da organização criminosa instalado dentro da estrutura do Estado. Além dela, outros servidores públicos foram presos durante o cumprimento de mandados de prisão.

Segundo a investigação, os servidores usavam sua influência dentro dos órgãos públicos para atuar em prol do crime organizado e repassar informações privilegiadas ao CV. As informações apontam para uma movimentação de R$ 70 milhões pelo grupo criminoso desde 2018.

Procurada para responder sobre a atuação da ex-servidora da Casa, a Aleam não respondeu aos questionamentos. O espaço segue aberto.

O grupo criminoso agia nas três esferas de poder: Judiciário, Executivo e Legislativo. Segundo as investigações, Adriana seria peça fundamental nas transações financeiras do grupo, conforme relatórios de inteligência.

A operação contou com o apoio integrado das forças de segurança dos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, em razão do caráter interestadual das movimentações financeiras e das conexões operacionais identificadas ao longo das investigações.

Operação Erga Omnes

Até o momento, foram cumpridos 13 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas, além de 24 mandados de busca e apreensão nos sete estados envolvidos. Durante a ação, foram apreendidos veículos, realizadas medidas de bloqueio de contas bancárias e decretado o sequestro de valores pertencentes aos investigados e a empresas fantasmas utilizadas pelo grupo criminoso.

Conforme a autoridade policial, essas empresas eram usadas para operacionalizar o tráfico de drogas em todo o território nacional. “As drogas eram adquiridas em Tabatinga, e os valores transacionados por meio de empresas fantasmas do Amazonas e do Pará, para posterior distribuição em outros estados do Brasil”, explicou o delegado.

No curso das investigações, foi constatada a participação de agentes públicos vinculados a diferentes órgãos das esferas municipal, legislativa, executiva e, inclusive, do Poder Judiciário. Essas conexões eram fundamentais para a manutenção das atividades ilícitas.

“O nome da operação, Erga Omnes, não foi escolhido por acaso. Ela atingiu pessoas de todas as esferas. Nosso trabalho foi pautado exclusivamente nas provas constantes nos autos, que fundamentaram os pedidos de prisão dos envolvidos”, destacou Marcelo Martins.

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