O Comando Vermelho no Amazonas movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, segundo estimativa da Polícia Civil do estado, com a ajuda do "núcleo político" inflitrado nos Três Poderes, após operação Erga Omnes, deflagrada nesta sexta-feira (20) com mandados de busca e prisão cumpridos em seis estados. A ação resultou na desarticulação de uma …
Com acesso aos Três Poderes, CV movimentou cerca de R$ 70 milhões

O Comando Vermelho no Amazonas movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, segundo estimativa da Polícia Civil do estado, com a ajuda do “núcleo político” inflitrado nos Três Poderes, após operação Erga Omnes, deflagrada nesta sexta-feira (20) com mandados de busca e prisão cumpridos em seis estados.
A ação resultou na desarticulação de uma organização criminosa investigada por atuação estruturada nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, com ramificações em diversos estados do país.
Segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a movimentação financeira identificada dentro de um período de quatro anos alcançou mais de R$ 70 milhões. As empresas fantasmas utilizadas pelo grupo atuavam, formalmente, no segmento de logística, com o objetivo de simular atividades lícitas.
Entretanto, as investigações revelaram que essas empresas não apresentavam qualquer movimentação compatível com o setor. “Elas não compravam insumos, não negociavam com outras empresas do ramo. Suas únicas transações financeiras eram com traficantes e servidores públicos”, detalhou o delegado.
As apurações também identificaram que o líder da organização se apresentava como evangélico e atuava em uma igreja localizada no bairro Zumbi dos Palmares, zona leste de Manaus. A PC-AM constatou que igrejas evangélicas eram utilizadas como forma de camuflagem social, dificultando a identificação do grupo criminoso.
Outro núcleo da investigação revelou a participação de ex-assessores que atuavam na área da advocacia, bem como de servidores públicos lotados em setores estratégicos dos órgãos onde exerciam suas funções. Esses agentes eram utilizados para facilitar o trânsito da organização criminosa em diferentes instituições.
Conforme o delegado, amparado por essa rede de pagamentos e proteção, o líder da organização se sentia seguro para cometer os crimes e chegava a se vangloriar diante dos demais integrantes, afirmando que não havia motivo para preocupação, dada a estrutura de apoio que mantinha.
Envolvidos no caso:
Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas.
Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil.
Alcir Queiroga Teixeira Júnior.
Bruno Renato Gatinho Araújo.
Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas.
Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar.
Osimar Vieira Nascimento, policial militar; e Ronilson Xisto Jordão.
Eles seriam responsáveis por facilitar acessos, intermediar interesses, proteger integrantes do grupo e, em alguns casos, tentar obter informações sobre investigações em andamento.
A operação contou com o apoio integrado das forças de segurança dos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, em razão do caráter interestadual das movimentações financeiras e das conexões operacionais identificadas ao longo das investigações. Em coletiva de imprensa nesta sexta, o delegado Alessandro Albino, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), destacou que a operação teve como foco principal o combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de drogas envolvendo servidores públicos nos sete estados.
De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 24º DIP, as investigações tiveram início em agosto do ano passado e revelaram que o tráfico de drogas possuía ramificações dentro da administração pública. Conforme apurado, diversos servidores públicos atuavam como parceiros do crime, ao lado de traficantes.











