A professora indígena, da etnia mapuche, Elisa Loncón foi eleita neste domingo (4) como Sra. presidente da Assembleia Constituinte do Chile e será a responsável por conduzir os trabalhos da entidade responsável por elaborar a nova constituição chilena. A atual constituição é de 1980 época da ditadura do general Augusto Pinochet. Loncón foi eleita no pleito de 14 e 15 …
CONSTITUINTE CHILENA: Professora indígena é eleita Sra. presidente da Assembleia Constituinte do Chile e será a responsável por conduzir os trabalhos de elaboração da nova constituição do país

A professora indígena, da etnia mapuche, Elisa Loncón foi eleita neste domingo (4) como Sra. presidente da Assembleia Constituinte do Chile e será a responsável por conduzir os trabalhos da entidade responsável por elaborar a nova constituição chilena. A atual constituição é de 1980 época da ditadura do general Augusto Pinochet.
Loncón foi eleita no pleito de 14 e 15 de maio como uma das ocupantes das 17 cadeiras reservadas aos povos indígenas na assembleia – sendo 7 apenas para os mapuche. No total, foram eleitos 155 parlamentares. Na ocasião, partidos de esquerda e movimentos independentes conquistaram ampla maioria das cadeiras, deixando a direita tradicional reduzida a menos de um terço das vagas.
A professora obteve 96 votos e foi consagrada como presidenta da Assembleia neste domingo, dia em que os trabalhos da entidade foram oficialmente abertos. O apoio massivo a Loncón veio após nenhum candidato obter maioria em primeira votação. No momento inicial, a congressista conquistou 58 apoios, enquanto o direitista Harry Jürgensen alcançou 36, e Isabel Godoy, ativista do povo originário Colla, teve 35.
Discurso
Em seu discurso, Loncón mandou “uma grande saudação ao povo chileno do norte à Patagônia, do mar às montanhas, às ilhas, a todos os chilenos que nos ouvem”. “Aqui estamos, obrigado pelo apoio das diferentes coalizões que deram sua confiança e colocaram seus sonhos no apelo feito pela nação Mapuche de votar em uma pessoa mapuche, uma mulher, para mudar a história deste país”, disse.
“Este sonho é um sonho dos nossos antepassados. Este sonho torna-se realidade. É possível reencontrar este Chile. Estabelecer uma nova relação”, declarou.
A professora Mapuche, Elisa Loncón, também revelou que a presidência da Convenção será rotativa e dará espaço a diversos setores dos povos originários, com o objetivo de “refundar o Chile”.
“Temos que ampliar a democracia, a participação. Temos que convocar até o último rincão do Chile, que esse processo seja transparente”, disse.
Loncón ainda lembrou do caso em que os corpos de 215 crianças foram encontrados em internato indígena no Canadá e criticou o colonialismo. “Pelo direitos das regiões, pelos direitos da Mãe Terra, pelos direitos à água, pelos direitos das mulheres, pelos direitos das crianças, quero prestar solidariedade a outros povos que sofrem. Soubemos do que aconteceu com as crianças indígenas do Canadá. É vergonhoso como o colonialismo atacou os povos originários”, afirmou.
Repressão
Do lado de fora do Congresso de Santiago, centenas de manifestantes aguardavam o inicio da constituinte. Acabaram sendo dispersados pela polícia chilena. Eles estavam em frente ao prédio, onde aguardavam o início das votações. A maioria dos manifestantes eram da etnia mapuche.
As forças militares do governo de Sebastián Piñera usaram bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água para reprimir os manifestantes. A violência atrasou os trabalhos iniciais da Convenção Constitucional, que chegou a ser suspensa a pedido de partidos de direita. Retornando ao seu curso normal posteriormente.












