COP-30: o fiasco anunciado da conferência que prometeu salvar o planeta

Relatórios recentes da ONU indicam que o planeta já está em trajetória de aquecer entre 2,3 °C e 2,5 °C

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A COP-30, sediada em Belém do Pará, nasceu com a promessa de ser um marco histórico: a conferência que daria à Amazônia o papel central no debate climático global e colocaria o Brasil como protagonista na luta contra o aquecimento global. No entanto, o que se vê é uma sucessão de erros logísticos, promessas não cumpridas e um cenário internacional fragmentado que ameaça transformar o evento em um dos maiores fracassos diplomáticos da história recente.

A principal bandeira da COP-30, manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais, parece cada vez mais inalcançável. Relatórios recentes da ONU indicam que o planeta já está em trajetória de aquecer entre 2,3 °C e 2,5 °C. Mesmo com discursos inflamados de chefes de Estado, o abismo entre o que é prometido e o que é implementado aumenta a cada ano.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou o fracasso em cumprir essa meta de “falha moral” e “negligência mortal”. E, na prática, é exatamente isso o que está ocorrendo: metas vagas, acordos frágeis e nenhuma sinalização concreta de que as grandes potências pretendam reduzir emissões na velocidade necessária.

O financiamento climático, outro ponto central da conferência, naufragou. Os países ricos continuam devendo os 100 bilhões de dólares anuais prometidos desde o Acordo de Paris para apoiar nações em desenvolvimento. As necessidades reais, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), superam os 300 bilhões por ano até 2035 apenas para adaptação às mudanças climáticas.

Sem recursos, os países mais vulneráveis, justamente os que mais sofrem com eventos extremos, permanecem à margem das soluções. A COP-30, que deveria ser a conferência da “justiça climática”, virou palco de discursos vazios e disputas sobre quem deve pagar a conta.

Enquanto o planeta ferve, as potências discutem entre si. A ausência ou a participação tímida de líderes de países-chave, como Estados Unidos, China, Índia e Rússia, enfraqueceu as negociações. A falta de consenso sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis tornou-se o ponto mais crítico.

Países produtores de petróleo pressionam para manter o uso de combustíveis fósseis, e a divisão entre Norte e Sul global só aumentou. Sem uma liderança capaz de articular compromissos ambiciosos e equitativos, a COP-30 parece condenada a repetir o roteiro das anteriores: longas reuniões, promessas difusas e nenhum resultado mensurável.

Internamente, o Brasil enfrenta críticas duras sobre a organização do evento. Delegações reclamam de hospedagens caríssimas, infraestrutura precária e falta de transporte adequado. A imprensa internacional classificou a preparação como um “fiasco logístico”.

Mais grave ainda é a contradição de construir obras e rodovias em plena Amazônia para receber o evento, o que foi denunciado por ambientalistas como um contrassenso ético e ecológico. O cenário de caos organizacional em Belém virou símbolo da distância entre o discurso verde e a prática administrativa.

Mesmo nas questões técnicas, a COP-30 não avança. As resoluções são vagas, sem cronogramas claros, indicadores ou mecanismos de responsabilização. Especialistas apontam que, sem instrumentos concretos de acompanhamento, qualquer decisão aprovada em Belém corre o risco de se tornar mera formalidade diplomática.

As ONGs e representantes da sociedade civil, antes esperançados, agora denunciam exclusão do processo decisório e denunciam o evento como “mais um teatro climático”, uma vitrine internacional para governos e corporações exibirem promessas que não sairão do papel.

A COP-30 tinha todos os elementos para ser um ponto de virada: sediada na Amazônia, com grande atenção da mídia e a urgência planetária em alta. Mas o que se vê é um espetáculo de contradições, promessas frustradas e uma diplomacia cansada.

Se nada mudar até o encerramento, a conferência que prometia “salvar o planeta” entrará para a história como um símbolo da impotência internacional diante da crise climática — o evento em que o mundo olhou para a Amazônia não para encontrar soluções, mas para testemunhar mais um fiasco global.

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