Hipótese de votação acima das pesquisas depende da mobilização conservadora e da definição dos indecisos
Eleitores “invisíveis” da direita podem fazer de Alberto Neto senador mais votado do Amazonas

O Capitão Alberto Neto (PL) chega à reta final da disputa pelo Senado com uma possibilidade a ser observada: transformar a identificação com o eleitorado de direita em uma votação superior à registrada pelas pesquisas e disputar a primeira colocação no Amazonas.
Nesse cenário, os chamados eleitores “invisíveis” seriam aqueles cuja preferência por Alberto ainda não se expressou claramente nos levantamentos, seja por indefinição ou por uma decisão tomada nos últimos dias da campanha. A existência de um contingente conservador subestimado, entretanto, é uma hipótese política, não uma conclusão demonstrada pelas pesquisas disponíveis.
A pesquisa Quaest divulgada em 24 de setembro oferece um dado relevante para essa análise: na pergunta espontânea, sem apresentação dos nomes dos candidatos, 65% dos entrevistados não souberam indicar uma escolha para o Senado. No resultado combinado das duas opções de voto, os indecisos somavam 16%. 
Os indicadores medem situações diferentes. Não lembrar espontaneamente o nome de um candidato não significa necessariamente estar sem preferência. Ainda assim, a distância entre reconhecimento, intenção declarada e decisão final abre espaço para movimentações até a votação.
Para Alberto, o cenário favorável seria conquistar uma parcela expressiva dessas escolhas ainda em formação. Não há, porém, informação suficiente para afirmar que os indecisos sejam majoritariamente de direita ou que estejam inclinados a votar no candidato do PL.
Os levantamentos recentes mostram que alcançar a primeira colocação exigiria uma mudança importante no quadro eleitoral.
Na Quaest de 24 de setembro, Eduardo Braga apareceu com 27% das intenções de voto no resultado combinado, seguido por Alberto Neto, com 17%, Plínio Valério, com 14%, e Wilson Lima, com 13%.
A pesquisa Action, publicada em 28 de setembro, também colocou Braga à frente, com 34%, enquanto Alberto registrou 19%, Wilson, 17%, e Plínio, 15%. O instituto entrevistou 3 mil eleitores em 33 municípios, entre 8 e 19 de setembro. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, e o registro é AM-06612/2026.
Esses resultados situam Alberto entre os principais concorrentes, mas não sustentam, por enquanto, a previsão de que terminará como o mais votado.
A associação de Alberto com o campo conservador pode funcionar como referência para eleitores que procuram uma candidatura alinhada às suas posições nacionais. O apoio público de Nikolas Ferreira, que indicou Alberto para o Senado ao lado de Jean Batista para deputado federal e Débora Menezes para estadual, reforça essa identificação.
A questão eleitoral é quanto dessa visibilidade poderá se converter em votos adicionais. Apoios e engajamento ajudam a divulgar uma candidatura, mas sua transferência para as urnas precisa ser confirmada pelo resultado.
Além disso, cada eleitor terá duas escolhas para o Senado. Alberto pode receber votos de pessoas que também apoiam outros concorrentes, ampliando suas possibilidades de combinação. As duas opções entram na contagem dos candidatos, e os dois mais votados do estado serão eleitos.
A hipótese de uma surpresa favorável a Alberto, portanto, depende de três movimentos: consolidação de sua base, conquista de eleitores ainda indecisos e desempenho suficiente em Manaus e no interior para superar os adversários.
Se essa combinação ocorrer em intensidade superior à captada pelas pesquisas, o candidato poderá disputar a liderança da votação. Até lá, os eleitores “invisíveis” permanecem uma possibilidade a ser testada nas urnas e não uma reserva de votos já comprovada.










