Estupro contra crianças disparam no Amazonas; especialistas alertam sobre como evitar

Em média, quatro pessoas são estupradas por dia no Amazonas Um professor que estuprou a própria filha de três anos no banheiro de um hospital, um idoso que abusou dos filhos – de um e dois anos – na frente dos irmãos, e um pastor evangélico que molestou uma criança de seis anos, são apenas …

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Em média, quatro pessoas são estupradas por dia no Amazonas

Um professor que estuprou a própria filha de três anos no banheiro de um hospital, um idoso que abusou dos filhos – de um e dois anos – na frente dos irmãos, e um pastor evangélico que molestou uma criança de seis anos, são apenas alguns dos vários casos de pedofilia e estupro registrados apenas nesta semana no Amazonas. A informação é do Radar Amazônico.

Especialistas ouvidos explicam as possíveis causas e alertam a importância de ações de combate e prevenção em meio a essa crescente onda de crimes sexuais que assombra o maior estado brasileiro.

De acordo com dados do Ministério da Justiça, em 2024 foram registrados 1.552 casos de estupro no Amazonas, 42,9% a mais do que em 2023.

É importante ressaltar que toda forma de relação ou jogo sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente, com o objetivo de satisfação deste adulto e/ou de outros adultos configura abuso sexual. Esse crime pode acontecer por meio de ameaça física ou verbal, ou por manipulação/sedução.

Na maioria dos casos, o abusador é uma pessoa conhecida da criança ou adolescente – geralmente familiares, vizinhos ou amigos da família. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o abuso sexual não acontece, necessariamente, com contato físico. Existem diferentes tipos de abuso sexual que acontecem sem contato físico e é importante que todas as pessoas no entorno da criança estejam atentas para os sinais apresentados por quem sofre uma ou mais violações.

Sem rosto e sem justificativa

A titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) explica que não é possível traçar um perfil dos abusadores e que até mesmo uma pessoa comum, acima de qualquer suspeita, pode praticar esse tipo de delito.

“Quando a gente fala de violência sexual contra criança e adolescente não há um perfil, pode ser qualquer um e essa prisão representa muito isso. Alguém que era acima de qualquer suspeita, que ninguém imagina que tem conduta de violência sexual“, disse Juliana Tuma, ao citar a prisão de estudante de odontologia, de 24 anos, investigado por compartilhar pornografia infantil. No celular dele a polícia encontrou conversas em que o jovem assumia seu fetiche por estupro de bebês.

A psicóloga Thais Farias Falcão explica que não há uma razão específica que leva uma pessoa a abusar sexualmente de outra. “O estupro é um ato de violência e coerção, não um comportamento natural ou aceitável dentro de qualquer contexto ético ou científico. A psicologia e outras ciências estudam essa prática sob diferentes perspectivas, como social, neurológica e comportamental”.

Apesar de não haver um causa determinante, ela explica que fatores psicológicos, sociais e culturais podem estar relacionados com esses casos. “O estupro frequentemente está associado a sociedades com desigualdade de gênero, normas que incentivam a dominação masculina e objetificação das mulheres. A cultura do estupro (termo usado na sociologia) normaliza ou minimiza a violência sexual. Algumas pessoas que cometem estupro apresentam transtornos de personalidade antissocial ou traços narcisistas, buscando poder e controle sobre a vítima. No entanto, nem todos os agressores têm transtornos clínicos; muitos são influenciados por crenças misóginas e falta de empatia”.

Saiba como evitar

A delegada Juliana Tuma citou que a maioria dos crimes sexuais são cometidos por pessoas próximas a vítima como amigos, vizinhos e até mesmo seus próprios familiares. Para ela, é fundamental que os pais estreitem os laços de confiança e diálogo com os filhos, a fim de evitar possíveis abusos.

“É importante ter vigilância constante. observando e tendo um olhar cuidadoso, porque você não vai saber mudança de comportamento se você não conhece o seu filho. É importante ter esse acompanhamento. Saber a rotina, tem aqueles pais que não sabem nem a hora que o filho vai dormir. Então a gente precisa entender que a maior prevenção é o estreitamento da confiança e do diálogo com a criança e o adolescente, além de ter cautela com acesso a conteúdos inadequados na internet”.

A psicóloga Thais ressaltou a importância de políticas públicas no sentido de combater a normalização de práticas e pensamentos machistas e misóginos.”O estupro, para muitos criminosos, não tem motivação sexual, mas sim desejo de exercer poder, humilhar e controlar a vítima. No entanto, a importância de políticas públicas mais presentes, para que se tenha uma educação para ter resultados que moldam o comportamento”.

Ela defende que o combate ao estupro deve ser um esforço coletivo, promovendo mudanças culturais e sociais para que a violência sexual seja erradicada, mas que o principal responsável por essa mudança é o próprio homem, que precisa evitar práticas abusivas e desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro.

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