Geração Z no mercado de trabalho: o que as empresas realmente procuram

Formada por jovens nascidos entre 1995 e 2010, a geração Z é frequentemente chamada de “nativos digitais” por ter crescido em contato direto com a tecnologia. Durante muito tempo, essa característica foi vista como uma vantagem no mundo do trabalho, mas especialistas avaliam que, hoje, apenas a familiaridade com o ambiente digital já não é …

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Formada por jovens nascidos entre 1995 e 2010, a geração Z é frequentemente chamada de “nativos digitais” por ter crescido em contato direto com a tecnologia. Durante muito tempo, essa característica foi vista como uma vantagem no mundo do trabalho, mas especialistas avaliam que, hoje, apenas a familiaridade com o ambiente digital já não é suficiente para garantir espaço no mercado.


A cada ano, a presença da geração Z no mundo profissional aumenta. Em 2026, a expectativa é que eles representem 30% da força de trabalho global, percentual que poderá representar 58% já em 2030, segundo estudos citados pelo Fórum Econômico Mundial.


Mesmo com essa presença crescente, especialistas apontam que a adaptação às exigências das empresas será determinante para a consolidação desses profissionais no ambiente corporativo. Para a diretora-presidente do Centro de Ensino Técnico (Centec), Eliana Cássia de Souza, a percepção de que ser nativo digital garante vantagem automática no mercado não corresponde mais à realidade das empresas.


“A Geração Z chega ao mercado com facilidade para lidar com tecnologia, mas as empresas esperam muito mais do que isso. Elas procuram profissionais que saibam trabalhar em equipe, cumprir responsabilidades e transformar o conhecimento digital em produtividade no ambiente de trabalho”, afirma.


Para contribuir com essa adaptação às demandas do mercado, o Centec oferece como disciplina básica em todos os seus cursos técnicos aulas de ética e psicologia do trabalho. A proposta é desenvolver o controle emocional, a atuação em coletivos e a liderança, entre outras habilidades comportamentais (soft skills) cada vez mais valorizadas pelas empresas.

Habilidades técnicas
Outro desafio observado pelas empresas, e que também aparece em gerações anteriores, é a formação técnica insuficiente para determinados cargos. Um levantamento do LinkedIn com profissionais de Recursos Humanos (RH) aponta que, para 72% deles, encontrar talentos tem se tornado mais desafiador. Para 65%, há escassez de habilidades técnicas nos candidatos.


“Ter familiaridade com tecnologia ou com redes digitais não significa, necessariamente, ter habilidade suficiente para ocupar determinadas funções. O mercado procura profissionais que dominem processos, ferramentas específicas e que tenham preparo prático para executar as atividades da função. Por isso, a formação técnica é essencial”, afirma.

Comprometimento
Também chama a atenção na geração Z a alta rotatividade no mundo do trabalho. Algumas pesquisas indicam que uma parcela significativa dos jovens considera trocar de emprego em períodos curtos, de até dois anos, muitas vezes em busca de melhores condições ou maior identificação com a empresa.


Por esse motivo, muitas organizações passaram a observar com mais atenção características como comprometimento, disposição para o desenvolvimento profissional e capacidade de adaptação a diferentes contextos de trabalho.
“O jovem que tem interesse em mudar de emprego precisa fazer uma reflexão maior sobre as motivações para que não interrompa, sem necessidade, um processo de aprendizado pelo qual está passando. O crescimento profissional nas empresas requer tempo”, aconselha Eliana Cássia de Souza.

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