Deputado federal é suspeito de corrupção e lavagem de dinheiro, segundo decisão
Investigado no STF, Adail Filho quase duplica patrimônio em quatro anos; veja o valor

Alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, o deputado federal Adail Filho (MDB), que disputará a reeleição neste ano, quase dobrou seu patrimônio no intervalo de quatro anos e declarou possuir R$ 2 milhões em bens, segundo verificação do Foco no Fato com base em dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 2022, quando disputou sua primeira eleição para a Câmara dos Deputados, o parlamentar declarou um patrimônio de R$ 1.113.608,12. Na prestação de contas deste ano, o valor passou para R$ 2.037.584,07, uma evolução de R$ 923.975,95, o equivalente a aproximadamente 82,97%.

O aumento patrimonial ocorre enquanto o deputado é investigado em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal.
Na decisão que autorizou a abertura do inquérito, o ministro afirma que a análise dos documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos revelou supostos repasses financeiros realizados por pessoas jurídicas ligadas aos investigados em benefício do deputado federal e de seu pai, Adail Pinheiro, prefeito de Coari, no interior do Amazonas.
Veja os bens declarados
Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral, Adail Filho informou possuir um patrimônio de R$ 2.037.584,07, conforme determina a legislação eleitoral. Entre os principais bens declarados estão:
- Quotas de capital da empresa DAFIL Participações EIRELI: R$ 150.000,00;
- Aplicação em renda fixa (BB Estilo): R$ 778.709,54;
- Carta de crédito: R$ 20.300,55;
- Aplicação em VGBL BB Previdência: R$ 1.088.141,73;
- Saldo em conta corrente: R$ 432,25.

Parlamentar destinou R$ 18 milhões para Coari

Na decisão que determinou a abertura da investigação, o ministro Alexandre de Moraes cita indícios de ligação entre os empresários presos com a mala de dinheiro e empresas que mantinham contratos com a Prefeitura de Coari, além da possível existência de irregularidades envolvendo recursos provenientes de emendas parlamentares.
“As apurações também indicaram que tais empresas mantinham contratos firmados com o Município de Coari/AM e teriam sido utilizadas como meio para a prática de fraudes em procedimentos licitatórios. Soma-se a esse quadro a existência de informações obtidas em fontes abertas que evidenciam a destinação de vultosos recursos públicos a referido município, nos anos de 2024 e 2025, por intermédio de emendas parlamentares de autoria do deputado federal Adail Filho”, diz trecho da decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Atualização da investigação
O Foco no Fato consultou o andamento do processo no site do Supremo Tribunal Federal. No despacho mais recente, datado de 24 de junho deste ano, o ministro Alexandre de Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, em razão da complexidade do caso.
“A autoridade policial requereu, ainda, a concessão de novo prazo para continuidade das investigações, tendo em vista a complexidade dos fatos apurados, a multiplicidade de pessoas físicas e jurídicas envolvidas, a existência de diligências ordinárias ainda pendentes, bem como eventual realização de outras diligências que venham a ser postuladas pelo respectivo órgão ministerial ou determinadas por esta Suprema Corte”, registra a decisão.
Outro lado
O Foco no Fato procurou a assessoria do deputado federal Adail Filho para solicitar esclarecimentos sobre a evolução patrimonial e o andamento da investigação no STF. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.











