Maria abre o “arquivo” da política e insinua ligação de Omar com antiga CPI da Pedofilia

Atrás nas pesquisas e sem mencionar diretamente o senador, candidata do PL utiliza perguntas em vídeo eleitoral para induzir o público a relacioná-lo à investigação realizada há mais de duas décadas

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Em meio à disputa pelo Governo do Amazonas, a candidata Professora Maria do Carmo (PL) decidiu elevar o tom contra os adversários e resgatar um dos episódios mais controversos da história política recente do estado.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Maria faz referência à chamada “CPI da Pedofilia” e, embora não mencione diretamente o nome de Omar Aziz (PSD), constrói uma sequência de perguntas que insinua ao eleitor uma associação entre o senador e a investigação conduzida há mais de duas décadas.

“Se você ainda está indeciso em quem votar, pense e responda: CPI da Pedofilia. Você lembra de quem?”, questiona a candidata.

A expressão utilizada no vídeo tem forte impacto político, mas exige contextualização: o colegiado instalado no Congresso Nacional chamava-se oficialmente CPMI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Maria do Carmo não apresenta no vídeo uma nova denúncia nem informa a existência de qualquer condenação contra Omar relacionada ao episódio. A estratégia adotada é a da insinuação: recuperar um caso antigo, formular perguntas e deixar que o próprio eleitor faça a associação política pretendida.

O movimento ocorre em um momento decisivo da campanha e revela uma mudança no tom da candidata do PL, que passou a explorar episódios do passado de seus adversários em busca de maior repercussão eleitoral.

Ao utilizar uma referência tão sensível, Maria transporta novamente para o centro da eleição de 2026 uma controvérsia ocorrida entre 2003 e 2004.

Naquele período, quando Omar Aziz exercia o cargo de vice-governador do Amazonas, seu nome foi mencionado durante investigações relacionadas a uma denúncia de exploração sexual envolvendo uma adolescente de 15 anos.

A relatora da CPMI, deputada Maria do Rosário, chegou a recomendar que o nome de Omar permanecesse na relação de pessoas cujo indiciamento seria sugerido às autoridades competentes.

Omar sempre negou a acusação. Na época, sua defesa alegou que os depoimentos apresentavam contradições e que ele estaria acompanhando a filha gravemente enferma no período relacionado aos fatos narrados.

O então senador Arthur Virgílio Neto apresentou um destaque solicitando a retirada do nome de Omar Aziz do relatório final. Arthur declarou publicamente que considerava inconsistentes os elementos usados contra o então vice-governador e afirmou estar convencido de sua inocência.

A retirada foi aprovada em uma votação apertada. Após empate entre os integrantes da comissão, o voto de desempate do presidente em exercício, senador Ney Suassuna, decidiu pela exclusão. O resultado final foi de 8 votos a 7.

Portanto, é fundamental registrar: Omar Aziz não permaneceu na lista final de sugestões de indiciamento da CPMI e não houve, naquele procedimento parlamentar, uma conclusão definitiva de culpa contra ele.

A exclusão, entretanto, foi contestada pela relatora Maria do Rosário, que defendia a manutenção do nome no documento. O debate e a retirada foram oficialmente registrados pela Agência Senado⁠ e pela Câmara dos Deputados⁠.

Ao resgatar o episódio, Maria do Carmo não acusa nominalmente Omar nem demonstra a existência de um fato novo. O que ela faz é explorar uma memória política ainda sensível, utilizando uma pergunta cuidadosamente construída para insinuar uma ligação e provocar desgaste eleitoral.

A estratégia permite que a candidata transmita uma mensagem contundente sem formular diretamente uma acusação de prática criminosa. Ainda assim, por envolver uma denúncia grave e antiga, o conteúdo exige que o desfecho da investigação também seja apresentado ao público.

O vídeo mostra que a campanha pelo Governo do Amazonas entrou definitivamente na fase dos confrontos mais duros. Sem citar Omar, Maria do Carmo deixou suficientemente claro para quem pretendia direcionar a insinuação.

Agora, além da disputa pelos votos, a eleição passa também a ser travada no terreno das lembranças, das acusações do passado e das versões que cada candidato pretende apresentar ao eleitor.

Outro lado

Procuramos a assessoria do senador solicitando um posicionamento sobre as possíveis insinuações, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.

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