Mesmo com salário de R$ 46 mil, deputados entram em recesso após quase 5 meses de trabalho apenas

Sessões na Casa ocorrem apenas duas vezes na semana

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Mesmo recebendo salário de R$ 46 mil — com fortes indícios de irregularidades — os deputados estaduais do Amazonas entraram em recesso nesta quarta-feira (1º), após o fim da sessão plenária na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), depois de quase cinco meses de trabalho em 2026. A Casa iniciou os trabalhos legislativos no dia 3 de fevereiro deste ano.

O período entre o início dos trabalhos e o recesso contrasta com a rotina do trabalhador comum, que trabalha seis dias por semana e descansa apenas um, com jornada diária de oito horas, considerada por muitos como exaustiva e só tira férias após 12 meses de trabalho. O fim da escala 6×1, inclusive, tramita no Congresso Nacional.

Além disso, os parlamentares realizam apenas duas sessões legislativas por semana, sem dias fixos, havendo convocações de sessões extraordinárias eventualmente, dependendo da necessidade de votação de matérias.

Além do contraste entre as jornadas de trabalho dos deputados e dos trabalhadores comuns, chama atenção também a disparidade salarial. Segundo reportagem publicada pelo Foco, um deputado estadual recebe cerca de 29 vezes mais do que um trabalhador assalariado.

A Casa também é questionada por pagar salários de R$ 46 mil aos parlamentares, em desacordo com a Constituição Federal, que prevê que o subsídio de um deputado estadual corresponda a 75% do subsídio de um deputado federal, o que representa cerca de R$ 34 mil.

Cálculo

Levando em consideração o início oficial dos trabalhos na Casa, em 3 de fevereiro deste ano, e o início do recesso, em 1º de julho, passaram-se 4 meses e 28 dias, ou seja, quase cinco meses. O retorno das atividades na Casa está previsto para agosto.

Casa está no centro de um escândalo

Segundo noticiado pelo Foco, a Aleam continua pagando salários de R$ 46 mil mesmo após aprovar, em março deste ano, a redução dos subsídios para cerca de R$ 34 mil, o que, segundo a reportagem, viola a Constituição Federal e a própria lei aprovada pela Casa.

Valores ultrapassam R$ 12 milhões

Conforme reportagem exclusiva do Foco, os valores pagos acima do teto constitucional pela Aleam ultrapassam R$ 12 milhões, e os recursos não serão devolvidos aos cofres públicos.

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