Nem a presença de Eliud Kipchoge salvou: NB 42K Porto Alegre vira alvo de críticas após série de problemas

Agora, a expectativa da comunidade da corrida é que a organização reconheça as falhas apontadas

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A edição de 2026 da NB 42K Porto Alegre tinha todos os ingredientes para entrar para a história. Pela primeira vez, o maior maratonista de todos os os tempos, Eliud Kipchoge, bicampeão olímpico e dono da histórica quebra da barreira das duas horas na maratona, participou de uma prova oficial no Brasil, transformando Porto Alegre no centro das atenções do atletismo mundial.

Mas o que deveria ser um fim de semana de celebração acabou sendo marcado por uma avalanche de críticas de atletas amadores e de parte da elite da corrida de rua.

O principal problema começou antes mesmo da largada. O acesso à prova aconteceu em uma área de parque que, após as fortes chuvas, transformou-se em um verdadeiro lamaçal. Muitos corredores precisaram caminhar na lama poucos minutos antes da largada, molhando completamente os tênis e desperdiçando energia justamente no momento em que buscavam economizar cada detalhe para tentar um recorde pessoal.

Para quem chegou à prova “no limite”, buscando baixar poucos segundos do melhor tempo da carreira, esse detalhe fez diferença. Segundo diversos relatos nas redes sociais, quem conseguiu superar esse obstáculo foi justamente quem tinha uma margem maior de desempenho naquele dia.

Moradores da região também chamaram atenção para o fato de que o risco era previsível. Julho é um período historicamente chuvoso em Porto Alegre, tornando bastante conhecida a possibilidade de o terreno do parque ficar encharcado em caso de chuva intensa.

Outro ponto muito criticado foi o percurso. Em diversos trechos havia buracos escondidos pela água acumulada da chuva, aumentando o risco de torções e quedas. Evidentemente, nem a chuva nem os buracos são responsabilidade direta da organização. Ainda assim, muitos corredores defenderam que a prova poderia ter escolhido um trajeto com melhores condições de pavimentação, reduzindo os riscos para os participantes.

As reclamações não pararam por aí.

Diversos atletas relataram problemas de sinalização ao longo do percurso. Houve corredores que erraram o caminho, incluindo atletas da elite, e até o campeão masculino chegou a seguir uma rota equivocada durante a disputa antes de conseguir retornar ao percurso correto. Entre os amadores, a situação foi ainda mais complicada: muitos acabaram completamente perdidos e precisaram abandonar a prova. Um dos casos mais comentados foi o do influenciador Tio Mayco, do canal Corredores, que também relatou dificuldades relacionadas ao percurso.

Após a chegada, um novo transtorno.

O sistema de guarda-volumes também foi alvo de fortes críticas. Corredores relataram espera de horas para conseguir retirar seus pertences, permanecendo por muito tempo expostos ao frio e ainda utilizando roupas molhadas. Houve relatos de atletas apresentando sinais de hipertermia e exaustão enquanto aguardavam a devolução das bolsas.

Nem tudo, porém, foi negativo.

A Expo da NB 42K recebeu muitos elogios pela estrutura, organização, experiências oferecidas aos corredores e ativações das marcas parceiras. A presença de Eliud Kipchoge também foi considerada um marco histórico para o esporte brasileiro, aproximando o público nacional daquele que é considerado o maior maratonista da história e reforçando a importância internacional que a prova vinha conquistando.

Justamente por isso, a frustração foi ainda maior. Um evento que reuniu mais de 20 mil corredores, contou com a presença de uma lenda do esporte e tinha potencial para entrar definitivamente no calendário das grandes maratonas do continente acabou ficando marcado, para muitos participantes, pelos problemas de organização enfrentados no dia da prova.

Agora, a expectativa da comunidade da corrida é que a organização reconheça as falhas apontadas pelos atletas e utilize as críticas como oportunidade para corrigir os problemas nas próximas edições, permitindo que um evento do porte da NB 42K seja lembrado muito mais pela experiência dentro da prova do que pelos transtornos vividos fora dela.

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