Prova virou referência no país
Apesar das críticas, NB 42K entrega espetáculo de performance e entra para a história como a maratona mais rápida do Brasil

A New Balance 42K Porto Alegre cumpriu uma promessa que vinha fazendo desde a apresentação de seu novo percurso: colocar o Brasil definitivamente no mapa das grandes maratonas de alta performance.
Se a organização recebeu inúmeras críticas por aspectos operacionais enfrentados pelos corredores ao longo da prova, quando o assunto foi alto rendimento, a resposta veio com números históricos.
A edição de 2026 entrou para a história como a maratona mais rápida já realizada em território brasileiro. O marroquino Zineddine Ouria cruzou a linha de chegada em 2h08min52s, estabelecendo o novo recorde em solo nacional e tornando-se o primeiro atleta a correr abaixo de 2h09 em uma maratona realizada no Brasil.
Mas o feito não parou por aí.
A profundidade do pelotão de elite impressionou especialistas. Cinco atletas terminaram abaixo da marca de 2h10, algo jamais visto em uma maratona brasileira e que demonstra que a NB42K conseguiu entregar exatamente aquilo que prometia: um percurso desenhado para velocidade e capaz de atrair atletas de padrão internacional.
O resultado é consequência de um projeto que buscou reunir uma das melhores elites já vistas na América do Sul. A organização investiu pesado para trazer corredores com marcas pessoais entre 2h05 e 2h07, além da presença de Eliud Kipchoge, bicampeão olímpico e maior maratonista da história. Embora o queniano tenha deixado claro que sua participação tinha caráter comemorativo e de aproximação com o público brasileiro, sua presença elevou ainda mais o prestígio internacional do evento.
Esse nível técnico explica por que a prova faz jus ao selo Elite Label da World Athletics. A certificação não é concedida apenas por organização ou estrutura, mas principalmente pela capacidade de reunir atletas de alto nível, oferecer condições técnicas para grandes marcas e projetar a prova internacionalmente. Nesse aspecto, a NB42K mostrou que já compete entre as principais maratonas das Américas.
Outro nome que merece destaque é o de Fábio Jesus Correia.
Em sua estreia absoluta nos 42,195 km, o brasileiro fez uma corrida extremamente madura e terminou como o melhor atleta nacional, completando a prova em 2h10min43s, apenas alguns segundos acima da histórica barreira de 2h10. O resultado o coloca imediatamente entre os principais maratonistas brasileiros da atualidade e mostra que o país pode ter encontrado um novo nome para representar o Brasil nas grandes provas internacionais.
No feminino, a marroquina Kaoutar Kahhaz confirmou o favoritismo e conquistou o título da prova. Já entre as brasileiras, o grande destaque foi Marina Richwinn, que terminou na quinta colocação geral com 2h36min55s, sendo a melhor representante nacional em uma prova marcada por um nível técnico bastante elevado.
Para atrair uma elite desse porte, a New Balance colocou em disputa a maior premiação da história da prova, superior a R$ 1 milhão, incluindo bônus por recordes. Os campeões masculino e feminino receberam R$ 90 mil cada, enquanto os melhores brasileiros ainda disputaram uma premiação extra de R$ 50 mil, além de bonificações por marcas históricas.
No fim das contas, a NB42K deixa duas imagens completamente distintas.
A primeira é a dos problemas enfrentados por milhares de corredores amadores, que certamente precisarão ser corrigidos nas próximas edições.
A segunda é a de uma maratona que entregou exatamente aquilo que prometeu para a elite: velocidade, marcas históricas e uma performance que coloca Porto Alegre definitivamente entre os percursos mais rápidos da América do Sul.
Quando se analisa exclusivamente o desempenho esportivo, fica difícil contestar: a NB42K já entrou para a história da maratona brasileira.










