Novembro chegou, o inverno vem aí: Manaus está preparada para evitar novas tragédias ?

Editorial Foco no Fato

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Com a aproximação do período de chuvas intensas, uma pergunta precisa ser respondida pela Prefeitura de Manaus: o trabalho de prevenção nas áreas de risco foi realizado ou a população terá que conviver novamente com o medo dos deslizamentos e desmoronamentos?

Novembro chegou. E, com ele, acende-se o sinal de alerta para a chegada do chamado inverno amazônico, período em que as chuvas ganham intensidade e colocam à prova a infraestrutura urbana de Manaus.

A cidade conhece esse roteiro. Chuvas fortes, ruas alagadas, encostas ameaçadas, barrancos encharcados e famílias que passam a olhar para o céu com preocupação.

Mas existe uma questão que precisa sair do campo das promessas e entrar definitivamente no terreno das respostas concretas: a Prefeitura de Manaus fez a lição de casa?

A prevenção de deslizamentos não começa quando a chuva cai. Começa meses antes, com planejamento, fiscalização, drenagem, contenção de encostas, limpeza de igarapés e identificação das famílias que vivem em áreas vulneráveis.

É exatamente nesse ponto que a administração municipal precisa apresentar resultados verificáveis.

Não basta anunciar operações emergenciais quando o barranco já desceu. Não basta mobilizar equipes depois que uma residência foi atingida. E muito menos transformar cada tragédia em uma nova oportunidade para prometer providências que deveriam ter sido adotadas preventivamente.
A pergunta não é apenas se Manaus está preparada para enfrentar as chuvas. É quantas vidas poderiam ser protegidas com medidas executadas antes delas.

A Prefeitura precisa esclarecer quais encostas receberam obras de contenção, quantas áreas de risco foram vistoriadas, quais sistemas de drenagem passaram por manutenção e quantas famílias em situação de vulnerabilidade receberam acompanhamento ou alternativas seguras de moradia.
Essas informações precisam ser públicas, atualizadas e acessíveis.

É importante reconhecer que o problema dos desmoronamentos em Manaus não surgiu agora. Trata-se de um desafio histórico, associado à ocupação desordenada, às condições do solo, à deficiência de infraestrutura e à expansão urbana sobre áreas ambientalmente frágeis.
Também não seria correto atribuir automaticamente à atual administração toda a responsabilidade por problemas acumulados durante décadas.
Entretanto, a existência de dificuldades históricas não elimina a obrigação de apresentar medidas concretas de prevenção.

A população tem o direito de saber o que foi feito, o que está em andamento e o que ainda depende de recursos e execução.

O inverno amazônico não é uma surpresa meteorológica. É um fenômeno sazonal conhecido, que permite ao poder público planejar ações e estabelecer prioridades.

Por isso, a chegada das chuvas não pode ser tratada como justificativa para a ausência de planejamento.

O FOCO NO FATO deixa uma cobrança objetiva: que a Prefeitura de Manaus apresente um balanço público das ações preventivas realizadas antes do período chuvoso, com obras, localidades atendidas, investimentos e resultados.
Porque, quando o assunto é a segurança de famílias que vivem sob o risco de deslizamentos, transparência não é favor. É obrigação.

E, antes que a primeira grande emergência coloque novamente a cidade em alerta, permanece a pergunta que precisa de resposta:
A Prefeitura de Manaus fez a lição de casa ou vai esperar o inverno mostrar o que ficou por fazer?

FOCO NO FATO — Informação, análise e compromisso com o interesse público.

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