Embora tenha candidatura oficialmente mantida pela direção partidária, Maria não consegue demonstrar unidade interna
PL do Amazonas vira “Lobo Solitário”, e Maria do Carmo enfrenta campanha por sua conta e risco

A candidatura de Maria do Carmo ao Governo do Amazonas começa a campanha eleitoral de 2026 cercada por uma contradição difícil de esconder: tem a legenda do PL, mas ainda não conseguiu mostrar que possui o apoio efetivo do partido.
Enquanto a direção estadual mantém oficialmente sua candidatura, lideranças liberais adotam movimentos políticos que apontam para outra direção. Deputados estaduais do PL têm sido vistos em agendas e demonstrações públicas de proximidade com o governador Roberto Cidade, adversário direto de Maria do Carmo na disputa pelo Governo.
Delegado Péricles, por exemplo, aparece ao lado de Cidade em alguns compromissos.As imagens, marcadas por conversas e cordialidade, foram interpretadas nos bastidores como mais um sinal da dificuldade enfrentada por Maria para unificar a bancada estadual em torno do próprio palanque. Até o momento, contudo, os encontros não equivalem, por si só, a uma declaração formal de apoio eleitoral ao governador.
O afastamento interno ficou ainda mais evidente com o posicionamento de Cabo Linhares, presidente da Câmara Municipal de Parintins e filiado ao PL. Mesmo com Maria do Carmo como candidata oficial da legenda, o vereador declarou publicamente apoio a Roberto Cidade, mantendo seu respaldo a outros candidatos liberais apenas nas disputas proporcionais e para o Senado.
No interior, o problema também ganhou força. Zé Henrique, presidente municipal do PL em Coari e até então participante da construção da pré-campanha de Maria, deixou o grupo da candidata e aderiu ao projeto de Cidade. O movimento atingiu uma cidade estratégica e expôs que a dificuldade de articulação não está restrita à capital. Dia a Dia Notícia
O diretório estadual, comandado por Alfredo Nascimento, já reafirmou Maria do Carmo como candidata oficial e tentou afastar publicamente qualquer dúvida sobre a posição institucional do partido. A decisão formal, entretanto, não foi suficiente para encerrar as divergências políticas dentro da sigla. Estado Político
Na prática, o PL amazonense apresenta dois movimentos distintos: a direção partidária sustenta Maria do Carmo, enquanto parte de suas lideranças preserva relações políticas ou se aproxima abertamente de Roberto Cidade.
Esse cenário transforma a candidata do PL em uma espécie de “Lobo Solitário” na disputa majoritária. Maria tem o número, a estrutura formal e a homologação partidária, mas ainda precisa provar que possui um time político verdadeiramente disposto a carregar sua candidatura pelas ruas de Manaus e pelos municípios do interior.
Roberto Cidade, por outro lado, trabalha para ampliar uma base que já ultrapassa as fronteiras da própria federação. Ao atrair lideranças filiadas ao partido adversário, o governador tenta transmitir força, capacidade de diálogo e domínio sobre a articulação política estadual.
Para Maria do Carmo, o desafio agora não é apenas enfrentar Omar Aziz, David Almeida e Roberto Cidade. Antes disso, terá de convencer o próprio PL a marchar unido ao seu lado.
Sem demonstrações mais claras de fidelidade interna, sua candidatura corre o risco de continuar oficialmente representando o PL, mas politicamente avançando por sua própria conta e riscco.











