Senador separa eleição nacional da disputa pelo Governo do Amazonas: escolhe Flávio para presidente, mas não acompanha o candidato presidencial no apoio à candidata do PL no Estado
Amigo de Omar, Plínio declara voto em Flávio Bolsonaro, mas fecha a porta para Maria do Carmo

O senador Plínio Valério (PSDB) colocou uma linha divisória bastante clara em sua estratégia para as eleições de 2026: pretende apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República, mas não estenderá automaticamente esse apoio à candidatura de Maria do Carmo Seffair (PL) ao Governo do Amazonas.
A declaração foi dada durante participação no programa Em Alta, da rádio Antena 1 e TV Onda Digital, e repercutida pela imprensa amazonense. Plínio afirmou que apoiará Flávio na eleição presidencial, mas descartou embarcar na campanha de Maria do Carmo.
A posição chama atenção principalmente pelo desenho político que começa a surgir no Amazonas.
Enquanto nacionalmente Plínio se aproxima do projeto presidencial de Flávio Bolsonaro, no cenário estadual mantém distância da candidata escolhida pelo próprio grupo bolsonarista para disputar o Governo.
Um componente importante para compreender essa movimentação é a relação de Plínio com Omar Aziz (PSD).
A proximidade entre os dois não é novidade nos bastidores da política amazonense. Ainda em 2025, publicação do BNC Amazonas classificava Plínio como amigo pessoal de Omar e apontava a possibilidade de o PSDB caminhar com o então pré-candidato do PSD ao Governo, mesmo mantendo uma posição nacional de centro-direita.
Isso cria uma situação eleitoral curiosa.
Plínio vota em Flávio Bolsonaro sem necessariamente participar do apoio estadual na candidata da Direita, Maria do Carmo.
Ou seja: Flávio, sim. Maria do Carmo, não.
O senador afirmou ainda, segundo a publicação apresentada, que mantém diálogo com diferentes grupos políticos e que, neste momento, não pretende declarar apoio formal a nenhum candidato ao Governo do Amazonas.
A separação feita por Plínio ganha ainda mais relevância porque Maria do Carmo não é apenas uma candidata filiada ao mesmo partido de Flávio.
Ela foi lançada pelo próprio Flávio Bolsonaro como nome do PL para o Governo do Amazonas. Em fevereiro, o senador participou diretamente da articulação da candidatura e de reuniões para estruturar o projeto eleitoral do partido no Estado.
Naquele momento, inclusive, anotações atribuídas a Flávio colocavam Plínio Valério e Alberto Neto entre os nomes considerados para o Senado no planejamento eleitoral do PL no Amazonas.
O cenário, portanto, produz uma espécie de apoio pela metade: Plínio aceita caminhar com Flávio no projeto nacional, mas preserva sua independência no Amazonas.
Politicamente, a decisão mantém aberta uma avenida para uma eventual aproximação de Plínio com Omar Aziz durante a campanha estadual.
Isso não significa, por enquanto, que exista uma declaração formal de apoio de Plínio a Omar. O que existe é uma relação política e pessoal já registrada publicamente e, agora, a decisão do senador de não acompanhar Flávio Bolsonaro no apoio a Maria do Carmo.
Para Plínio, a estratégia também pode estar relacionada à própria disputa pela reeleição ao Senado. Em uma eleição na qual cada eleitor escolherá dois senadores, ampliar pontes com diferentes grupos pode ser importante na batalha pelo chamado segundo voto.
O episódio mostra como as eleições de 2026 no Amazonas tendem a produzir alianças que não necessariamente obedecerão à lógica nacional.
Plínio parece ter escolhido exatamente esse caminho.
É amigo de Omar Aziz, declara voto em Flávio Bolsonaro para presidente, mas deixa claro que o apoio ao filho de Jair Bolsonaro termina quando começa a disputa pelo Governo do Amazonas.
E, ao dizer “sim” a Flávio e “não” a Maria do Carmo, Plínio preserva espaço para construir seu próprio caminho na eleição estadual, inclusive ao lado de forças que estarão em palanques diferentes na disputa presidencial.











