PL e Novo terão 32 senadores em 2027 e podem mudar o equilíbrio de forças no Congresso

Com 29 parlamentares do PL e três do NOVO, partidos chegam próximos da maioria absoluta do Senado e ampliam o peso da direita nas negociações pela presidência da Casa

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O Senado Federal que tomará posse em fevereiro de 2027 poderá representar um novo capítulo na correlação de forças políticas do Brasil. Com uma bancada projetada de 29 senadores do Partido Liberal (PL) e três do NOVO, as duas legendas reunirão 32 das 81 cadeiras da Casa, consolidando um bloco com capacidade de influenciar decisões estratégicas do Congresso Nacional.

O número representa aproximadamente 39,5% do Senado e coloca os dois partidos a apenas nove votos da maioria absoluta de 41 parlamentares. Mais do que uma demonstração de força eleitoral, essa composição abre espaço para uma disputa decisiva pelo comando do Senado, pela definição da pauta legislativa e pela relação institucional entre o Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal.

Rogério Marinho entra no centro do tabuleiro político

Nesse cenário, o senador Rogério Marinho (PL-RN) surge como um dos nomes centrais das articulações para a presidência do Senado.

A eventual união entre PL e NOVO oferece uma base relevante para sua candidatura, mas não garante sua eleição. Para alcançar os 41 votos necessários, Marinho precisará conquistar apoios entre senadores de outras legendas, especialmente partidos de centro e centro-direita.

O desafio será transformar o crescimento parlamentar em uma aliança política capaz de ultrapassar as fronteiras partidárias.

A direita cresce e o Senado deixa de ser território confortável para o governo

O avanço do PL é expressivo. Segundo levantamento da Agência Senado, o partido terá a maior bancada no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988.

Enquanto o PL deverá reunir 29 senadores, o PT contará com dez. O MDB aparece com oito, seguido pelo PP, com seis, e União Brasil e Republicanos, com cinco parlamentares cada.

A nova configuração não significa que o governo perderá automaticamente sua capacidade de articulação. Entretanto, indica que a construção de maiorias dependerá de negociações mais amplas.

Para a oposição, o crescimento representa a possibilidade de exercer maior influência sobre a fiscalização do Executivo, a análise de indicações para tribunais superiores e a tramitação de propostas consideradas prioritárias pela direita.

Alcolumbre, Tereza Cristina e Marinho: uma disputa que promete movimentar Brasília

A eleição para a presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027, já começa a mobilizar diferentes grupos políticos.

Nesta quarta-feira (4), o PL oficializou a candidatura de Rogério Marinho. O NOVO também declarou apoio ao senador potiguar.

Do outro lado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) trabalha pela recondução ao cargo, enquanto Tereza Cristina (PP-MS) também se movimenta para disputar a presidência.

A existência de duas candidaturas competitivas no campo da direita pode favorecer Alcolumbre, razão pela qual aliados de Marinho defendem uma composição com Tereza Cristina. 

O próprio Marinho afirma que sua articulação já alcança mais de 40 votos. Trata-se, porém, de uma estimativa política, não de votos assegurados, especialmente porque a escolha do presidente do Senado ocorre por votação secreta. 

O Supremo Tribunal Federal também entra nessa equação

A nova composição poderá repercutir diretamente nas relações entre Senado e STF.

Isso porque cabe ao Senado analisar indicações presidenciais para o Supremo e processar e julgar ministros da Corte por crimes de responsabilidade, observadas as exigências constitucionais e legais.

A presença de uma bancada conservadora mais numerosa pode aumentar a pressão política por maior fiscalização institucional. Entretanto, pedidos de impeachment de ministros não dependem exclusivamente da vontade de uma bancada, e sua tramitação envolve procedimentos e decisões da presidência da Casa.

Marinho já sinalizou que pretende adotar uma postura mais ativa em relação a eventuais denúncias envolvendo integrantes do Judiciário. 

O desafio: transformar força numérica em poder político

Embora PL e NOVO somem 32 senadores, os números não devem ser confundidos com uma maioria automática para todas as decisões.

Para eleger o presidente do Senado, são necessários 41 votos. Já a aprovação de propostas de emenda à Constituição exige 49 votos favoráveis, em dois turnos.
Portanto, o crescimento da direita representa uma vantagem importante nas negociações, mas não elimina a necessidade de alianças.

A grande questão é saber se os partidos conseguirão manter a unidade diante das divergências políticas e dos interesses regionais que tradicionalmente influenciam as decisões do Congresso.

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