? Os dois titãs na guerra das plataformas de streaming - Netflix e Disney+ - há muito resistem aos comerciais, mostrando relutância em ter seriados premiados, como “Stranger Things” ou “O Mandaloriano”, sendo exibidos em meio a comerciais de detergente, refrigerante e medicamentos. “Nada de publicidade na Netflix - e ponto final”, disse Reed Hastings, …
PROPAGANDA | Comerciais entre as séries e filmes viram a nova realidade nos serviços de streaming como a HBO Max e Disney +

? Os dois titãs na guerra das plataformas de streaming – Netflix e Disney+ – há muito resistem aos comerciais, mostrando relutância em ter seriados premiados, como “Stranger Things” ou “O Mandaloriano”, sendo exibidos em meio a comerciais de detergente, refrigerante e medicamentos.
“Nada de publicidade na Netflix – e ponto final”, disse Reed Hastings, um dos fundadores e CEO da Netflix, há vários anos, um ponto de vista que ele repetiu por algum tempo.
“Não acreditamos que a experiência do consumidor seria particularmente boa se tivéssemos publicidade no Disney+”, disse Christine McCarthy, diretora financeira da Disney, no final de 2020.
Mas, agora, as plataformas de streaming estão começando a aparecer na Madison Avenue, endereço de várias agências de publicidade.
Com o aumento das assinaturas provocado pela pandemia mostrando sinais de queda, as principais empresas de mídia e tecnologia de streaming estão começando a mudar o modo como veem a publicidade. Para alcançar mais pessoas – inclusive aquelas que começaram a repensar suas assinaturas devido a alta inflação e excessivo número de assinaturas -, as plataformas estão oferecendo um trato: ver anúncios em troca de preços mais baixos.
Na semana passada, a Amazon reforçou sua aposta no serviço de streaming gratuito e bancado por publicidade, IMDb TV, rebatizando-o como Freevee e anunciando planos para expandir seu orçamento para a programação. O HBO Max começou a exibir anúncios no início do ano e, desde janeiro, tem o mesmo número de pessoas assinando planos com ou sem anúncios.
Mas a reavaliação de ponto de vista foi ainda mais surpreendente na Netflix e na Disney.
“Nunca diga nunca”, disse Spencer Neumann, diretor financeiro da Netflix, no mês passado, a respeito da possibilidade de haver comerciais na plataforma.
A Disney foi ainda mais abrupta em sua mudança de opinião. Em março, a empresa anunciou que lançaria um plano mais barato com publicidade para o Disney + este ano, explicando que seria um “elemento-chave na trajetória da empresa para atingir” suas metas de assinatura.
“Quando os streamings começaram e os preços ficavam em torno de um dígito, não havia espaço ou necessidade porque os preços eram competitivos e baixos o bastante”, disse JB Perrette, presidente e CEO do streaming internacional da Warner Bros, Discovery, a nova empresa controladora do HBO Max. “Mas o conteúdo é caro e, já que os preços dos planos sem anúncios aumentaram – chegando a quase US$ 20 em alguns desses pacotes -, ele precisa ser pago.”
O número de assinantes dos serviços bancados por anúncios disparou. Até o final do ano passado, 129 milhões de pessoas usavam um serviço de vídeo sob demanda com publicidade, de acordo com a Insider Intelligence, empresa de pesquisa de mercado. Ela estima que até 2025, esse número aumentará para 165 milhões de usuários. Da mesma forma, a receita de publicidade com vídeo subiu 51% no ano passado, para US$ 39,5 bilhões, de acordo com a Interactive Advertising Bureau, empresa que pesquisa o setor.
“TV gratuita e sem anúncios não é mais uma opção, crianças”, disse Jennifer Salke, chefe da Amazon Studios, que fornece programação para a Freevee.
Alguns executivos disseram que a chegada da publicidade era inevitável, já que as opções do setor de streaming espelham cada vez mais o que está disponível na televisão há décadas: uma mistura de programas, pacotes básicos de TV a cabo com comerciais e serviços premium sem anúncios.
“De muitas maneiras, estamos vendo a reencarnação dos últimos 50 anos da televisão na era do streaming”, disse Perrette, executivo de streaming da Warner Bros., Discovery, cujo portfólio também inclui o Discovery+.
“Os serviços de streaming que são essenciais estão em uma lista muito pequena, e aqueles essenciais e bancados por anúncios – estão em uma ainda menor”, disse Josh Mattison, vice-presidente de operações comerciais da Disney Advertising. “Você tem um grupo seleto no topo.”
Há anos as marcas queriam anunciar em plataformas como a Netflix. Em vez disso, a Madison Avenue costumava se contentar com publicidade indireta na programação e ocasionais parcerias com a marca.
Mas com a desaceleração do crescimento da Netflix, muitas pessoas dentro do setor de streaming dizem que parece ser inevitável a empresa apelar para a publicidade.
“Suspeito que a atual decisão deles de não terem anúncios mudará com o tempo”, disse Jason Kilar, ex-CEO da WarnerMedia, no podcast “The Town” este mês. “Digo isso porque oferecer preços mais baixos aos consumidores é uma estratégia muito, muito boa.”
Fonte: Estado de S. Paulo











