Tarcísio mantém resistência à migração para o PL e adia qualquer decisão sobre 2026

São Paulo — O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado há meses como possível migrante para o PL — partido de Jair Bolsonaro e presidido por Valdemar Costa Neto — segue firme em sua permanência no Republicanos, segundo interlocutores de sua cúpula. A postura enfraquece qualquer perspectiva de indicação pelo PL como candidato à Presidência da …

Compartilhar em:

São Paulo — O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado há meses como possível migrante para o PL — partido de Jair Bolsonaro e presidido por Valdemar Costa Neto — segue firme em sua permanência no Republicanos, segundo interlocutores de sua cúpula. A postura enfraquece qualquer perspectiva de indicação pelo PL como candidato à Presidência da República em 2026.

Em 22 de maio, durante um evento de filiação em São Paulo, Valdemar declarou que aguarda uma definição de Tarcísio para saber “qual cargo ele disputará no próximo pleito”, ressaltando que o campo da direita entraria em “guerra” tanto pelas vagas ao Senado quanto pela Presidência. Em entrevista à CNN Brasil e ao Estadão, no segundo semestre de 2024, o presidente do PL afirmou que Tarcísio já teria sinalizado interesse em migrar para a legenda — e prometeu dar-lhe uma “grande festa” de filiação.

No entanto, Tarcísio permanece reticente quanto à ideia de se filiar ao PL. “Estou muito confortável no Republicanos e devo permanecer no Republicanos”, declarou, em julho de 2024, à GloboNews. Já em janeiro de 2025, reforçou que sua prioridade é a reeleição ao governo de São Paulo, e que uma eventual mudança de partido só faria sentido no contexto de uma disputa presidencial.

Em fevereiro de 2025, reafirmou que não disputará o Planalto, e que seu candidato será Jair Bolsonaro, “a pessoa que me abriu as portas”.

O PL segue pressionando. Valdemar não o retira da lista de possíveis presidenciáveis e continua tentando atrair seu potencial para a legenda.

Tarcísio, por sua vez, insiste em permanecer no Republicanos por uma questão de estabilidade. Sabe que sua continuidade no partido fortalece sua posição, evita rupturas e lhe garante uma estrutura sólida à disposição.

Com base centralizada em São Paulo, o governador recomenda cautela política e evita apostas arriscadas antes de definir objetivos mais ambiciosos.

Por ora, Tarcísio segue afastado da disputa presidencial — com a candidatura colocada na geladeira em nome do pleito estadual. Apenas uma decisão radical de mudar de partido o colocaria, de fato, na corrida pelo Planalto, o que esbarra no calendário eleitoral brasileiro, com prazos para renúncia, registro de candidatura e definição de alianças.

Enquanto Tarcísio insiste em permanecer no Republicanos e priorizar sua reeleição em São Paulo, Valdemar continua apostando nele como o grande nome da direita para 2026. No entanto, os obstáculos internos e os prazos eleitorais indicam que qualquer definição deve ocorrer apenas mais adiante — possivelmente após 2025.

A conclusão é simples: Tarcísio não quer virar refém de Valdemar Costa Neto. Ele sabe que, no Republicanos, será protagonista — enquanto, no PL, teria que submeter-se aos interesses do seu principal cacique político.

Estamos com foco no fato.

Compartilhar em: