“Vou assinar impeachment do Toffoli”, diz Plínio sobre envolvimento de ministro no caso Master

Ministro seria parte no caso, o que é motivo para afastamento

Compartilhar em:

Em entrevista exclusiva concedida ao programa Política em Foco, o senador Plínio Valério (PSDB) afirmou que vai assinar o pedido de impeachment do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por atuar no caso envolvendo o escândalo do banco Master.

Segundo o parlamentar, o ministro não poderia atuar no caso por estar diretamente ligado ao caso envolvendo o banco de Daniel Vorcaro. Toffoli teria viajado com o advogado de defesa do banco no fim de novembro de 2025, um dia antes de o caso “cair no colo” do ministro, que decretou sigilo total sobre o processo.

O senador afirmou que vai assinar o requerimento protocolado pela oposição no Senado Federal na última quarta-feira (14), assim que tiver acesso ao documento. A declaração foi dada durante entrevista no dia seguinte à abertura do pedido, na quinta-feira (15).

“Eu vou assinar. Liguei para o Girão [senador] dizendo que vou assinar. Mas eles fizeram rápido [Damares, Girão e Malta] para antecipar. Têm nosso apoio total. Todo e qualquer processo de impeachment de ministros do STF eu vou assinar”, disse o parlamentar.

A oposição no Senado abriu pedido de afastamento de Dias Toffoli após o ministro determinar que todas as provas colhidas pela Polícia Federal (PF) durante operação que apura o banco Master, na última quarta-feira (14), fossem encaminhadas diretamente para a sede da Suprema Corte.

A conduta de Toffoli foi considerada “atípica” por juristas e chamou atenção por possível interferência do ministro no caso. Além disso, familiares do ministro estariam envolvidos em transações relacionadas ao banco Master.

Outro ministro citado por Plínio, com possível envolvimento no banco Master, foi Alexandre de Moraes. Segundo o senador, chama atenção um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o banco e a esposa de Moraes, Viviane Barci.

Plínio Valério é um ferrenho crítico de ministros do Supremo Tribunal Federal e já assinou pedidos de impeachment de diversos magistrados, como Gilmar Mendes, o ex-ministro Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e, agora, Dias Toffoli.

Autodeclarado conservador, Plínio critica a participação de ministros em casos nos quais, segundo ele, há conflito de interesses, inclusive com envolvimento de familiares, o que, conforme afirma, não é permitido por lei.

Compartilhar em: