Wilson sempre esteve lá: fidelidade a Bolsonaro atravessou o poder, a derrota e os momentos mais difíceis

Wilson manteve alinhamento quando Bolsonaro comandava o Brasil e mesmo depois de deixar o governo

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Na política, alianças costumam mudar de acordo com as circunstâncias. Quando o poder troca de mãos, antigos aliados muitas vezes desaparecem. A trajetória de Wilson Lima ao lado de Jair Bolsonaro, porém, oferece elementos para uma narrativa diferente: o amazonense manteve publicamente sua proximidade política tanto durante a Presidência de Bolsonaro quanto depois de sua saída do poder.

As imagens que circulam novamente nas redes sociais ajudam a sintetizar essa relação. Elas mostram Wilson ao lado de Bolsonaro em momentos distintos, reforçando uma parceria que ganhou dimensão eleitoral principalmente em 2022.

Naquele ano, Wilson não escondeu sua escolha presidencial. Em outubro, durante a campanha do segundo turno, participou em Brasília de uma reunião de governadores que declararam apoio à reeleição de Bolsonaro.

O posicionamento foi ainda mais explícito durante passagem por Coari. Wilson declarou que seu apoio vinha “desde o início de 2019” e associou diretamente sua própria candidatura à de Bolsonaro, com a frase: “Quem vota Wilson Lima 44, vota Bolsonaro 22”.

A relação também funcionou no sentido inverso

Bolsonaro igualmente assumiu posição pública na eleição amazonense. Em setembro de 2022, durante comício em Manaus, declarou apoio à reeleição do governador: “Aqui no Estado do Amazonas, eu fico com Wilson Lima para a reeleição”.

No segundo turno, os dois estavam politicamente alinhados: Bolsonaro tentava permanecer na Presidência e Wilson buscava mais quatro anos no Governo do Amazonas. Wilson acabou reeleito com 56,65% dos votos válidos.

É justamente o período posterior que dá maior peso político à narrativa explorada agora.

A proximidade retratada nas imagens não apresenta apenas Wilson ao lado de um presidente da República. Mostra também sua relação com Bolsonaro já fora da Presidência, quando estar próximo do ex-presidente deixou de significar uma relação institucional entre governador e chefe do Executivo federal.

Enquanto Bolsonaro estava no Planalto, críticos poderiam atribuir a aproximação à necessidade institucional de um governador manter interlocução com Brasília. A continuidade política depois de 2022 fortalece, por outro lado, a interpretação de que havia também identificação e compromisso político.

“Bolsonarista sem bônus”

É nesse contexto que ganha força a expressão usada na publicação: “Wilson: o bolsonarista sem bônus”.

Wilson não pertence ao PL e construiu seu próprio grupo político no Amazonas. Mesmo assim, permaneceu associado ao campo bolsonarista em diferentes momentos.

Isso cria uma situação peculiar para 2026: enquanto diversos personagens disputam o direito de representar eleitoralmente a direita amazonense, Wilson pode apresentar um argumento baseado em trajetória: esteve ao lado de Bolsonaro quando ele tinha a caneta da Presidência, esteve durante a batalha eleitoral de 2022 e continuou próximo quando o poder já não estava mais no Palácio do Planalto.

Na política, fotografias registram encontros. A sequência delas, atravessando diferentes circunstâncias de poder, pode contar uma história de fidelidade.

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