????Seca suspende tráfego de navios e deixa ZFM fora da Black Friday

Os prejuízos e desastres gerados pela terceira maior vazante registrada na capital amazonense começam a impactar os negócios da Zona Franca de Manaus (ZFM) e estão longe de chegar ao fim. Pelo menos três empresas de transportes de cabotagem que trazem mercadorias para Manaus emitiram comunicado sobre restrição de navios no rio Amazonas. O Foco …

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Os prejuízos e desastres gerados pela terceira maior vazante registrada na capital amazonense começam a impactar os negócios da Zona Franca de Manaus (ZFM) e estão longe de chegar ao fim. Pelo menos três empresas de transportes de cabotagem que trazem mercadorias para Manaus emitiram comunicado sobre restrição de navios no rio Amazonas.

O Foco chegou a noticiar essa probabilidade em setembro, após a Câmara de Dirigentes e Lojistas do Amazonas (CDL Amazonas) mostrar a preocupação caso o rio continuasse a secar como vem sendo registrado dia a dia.

Com este comunicado, a restrição e suspensão do tráfego de navios de grande calado vão impedir a entrada de insumos e a saída de produtos acabados da Zona Franca de Manaus. Isso porque o nível do rio na foz do Amazonas e na Costa do Tabocal está muito baixo, destacou o BNC Amazonas.

Com esta medida, produtos fabricados na ZFM poderão não chegar ao mercado nacional a tempo das vendas da Black Friday, que ocorre no comércio brasileiro sempre no final do mês de novembro. E a maior preocupação maior é que os prejuízos se estendam até o Natal, período de maior venda do comércio.
Entre os principais produtos que podem deixar de ser comercializados estão TVs, celulares e ar-condicionado.

A previsão preocupante é do presidente da Associação Brasileira Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani), Dodó Carvalho. “É verdade que a cabotagem, que chega até Manaus, está comprometida. Isso porque o nível dos rios na foz do Amazonas e Costa do Tabocal está muito baixo. Por isso, os produtos que estão nos navios de carga, trazendo insumos ao polo industrial, estão ancorando nos portos de Suape (PE), Pecém (CE) e Vila do Conte (PA). Logo, tem comprometimento também a saída dos produtos da Zona Franca, o que vai atingir a Black Friday e provavelmente se estenderá até dezembro, no Natal”, relatou Carvalho.

Comunicado
O novo alerta sobre a navegabilidade no rio Amazonas foi dado pela empresa Mercosul Line, uma das líderes mundiais em navegação e logística. Em comunicado aos clientes, na última terça-feira (10), a empresa informa que as condições de navegação em trechos críticos do rio Amazonas atingiram nível mínimo, impedindo o acesso das embarcações ao porto de Manaus.

“As condições de restrição de navegabilidade são instáveis, o que não nos permite fornecer, com precisão, uma previsão de melhora. Por isso, com o objetivo de garantir a segurança da navegação, da tripulação, do meio ambiente e da carga, informamos que as cargas a bordo dos navios Vera Cruz e Mercosul Itajaí, com destino Manaus, serão descarregadas no porto de Suape (PE), onde aguardarão posterior reembarque para Manaus, ainda sem data prevista”, diz o comunicado.

A Mercosul Line avisa ainda que os navios subsequentes também terão suas escalas em Manaus temporariamente suspensas até que as condições de navegabilidade sejam restabelecidas.

Da mesma forma, o porto Chibatão, um dos maiores da América Latina, também comunicou os clientes e parceiros na última terça-feira. A diretoria informou que recebeu a informação extraoficial de que a Manaus Pilots, Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia, restringiu temporariamente a entrada de navios em Manaus.

Dragagem
Ainda de acordo com o presidente da Abani, Dodó Carvalho, as restrições e suspensão da navegabilidade no Amazonas acontecem porque a promessa do governo federal, de dragagem desse trecho, ainda não começou. A previsão de recursos é de R$ 138 milhões.

Dodó Carvalho ressalta ainda que a dragagem iniciou no alto Solimões, na fronteira com Peru e Colômbia. Isso para atender municípios como Benjamin Constant e Tabatinga. “O que é justo, pois a dragagem vai ajudar a navegabilidade para levar suprimentos aos ribeirinhos daquela região”, disse.

No entanto, Dodó Carvalho reforça a necessidade de realizar o quanto antes a dragagem na foz do rio Amazonas e Costa do Tabocal. Assim, a obra vai prevenir esses transtornos e prejuízos no verão de 2024.

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