Nó tático com direito a drible de corpo: estratégia de Wilson e Cidade ainda deixa adversários procurando a bola

Ataques nas convenções de Avante e PSD mostram que a dupla virou alvo dos adversários

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Se política também é estratégia, Wilson Lima e Roberto Cidade parecem ter conseguido executar uma jogada que ainda provoca reflexos no cenário eleitoral do Amazonas. A dupla virou alvo de ataques dos grupos de David Almeida e Omar Aziz, mas a explicação pode estar alguns movimentos atrás: a articulação que colocou Cidade no Governo do Estado e reorganizou completamente a sucessão de 2026.

Nas convenções de seus respectivos grupos, David e Omar reservaram parte da artilharia política para críticas aos atuais ocupantes do poder estadual. O cenário evidencia uma realidade: Wilson e Cidade passaram a ocupar o centro do jogo e, consequentemente, tornaram-se adversários que precisam ser combatidos.

A analogia com o futebol é inevitável. Wilson e Cidade deram uma espécie de “drible de corpo” nos adversários.

Enquanto boa parte do meio político acompanhava os movimentos tradicionais para 2026, Wilson deixou o Governo do Amazonas para disputar o Senado e Cidade assumiu o Executivo estadual. A mudança não representou apenas uma troca de nomes no comando do Estado. Criou uma nova configuração eleitoral.

O “nó tático” que mudou o jogo

A chegada de Roberto Cidade ao governo proporcionou algo politicamente valioso: a oportunidade de disputar a reeleição ocupando o cargo, com exposição institucional, capacidade de apresentar realizações e protagonismo natural na agenda estadual.

Wilson, por sua vez, deixou o governo para entrar na corrida ao Senado, preservando sua presença política e mantendo uma aliança estratégica com seu sucessor.

Foi praticamente uma movimentação em duas frentes: Cidade ficou com a missão de defender o projeto no Governo; Wilson partiu para a disputa pelo Senado.

E é justamente aí que estaria o “nó tático”.Os adversários passaram a enfrentar não apenas uma candidatura, mas uma dupla atuando em campos eleitorais diferentes e politicamente complementares.

Os ataques registrados nas convenções de David Almeida e Omar Aziz podem ser interpretados como consequência dessa nova configuração.

Em política, dificilmente alguém concentra munição em quem considera irrelevante. Quando adversários passam a dedicar discursos, críticas e ataques a determinados nomes, normalmente estão reconhecendo que esses personagens ocupam espaço importante na disputa.

David precisa superar Cidade para chegar ao Governo. Omar também precisa derrotá-lo na corrida estadual. Ao mesmo tempo, Wilson constrói sua candidatura ao Senado e mantém presença direta no enfrentamento político.

Por isso, enquanto os adversários atacam, Wilson e Cidade podem olhar para trás e enxergar o efeito da jogada construída meses antes.

Evidentemente, eleição não se ganha apenas com estratégia de bastidor. A palavra final será das urnas, e o cenário ainda poderá mudar durante a campanha.

Mas uma coisa parece evidente diante da intensidade dos ataques: Wilson Lima e Roberto Cidade conseguiram alterar o desenho originalmente imaginado para a eleição amazonense.

David Almeida e Omar Aziz agora precisam enfrentar um governador candidato à reeleição e, paralelamente, um ex-governador disputando uma das duas vagas ao Senado.

No futebol, seria aquele lance em que o marcador acompanha o movimento do corpo enquanto a bola segue para o outro lado.

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