Mortes no trânsito crescem em Manaus em 2026 apesar da meta da Prefeitura

Alta representa 34% comparado ao mesmo período do ano passado

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Em entrevista ao portal Foco no Fato, em fevereiro deste ano, o vice-presidente do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), Leda Junior, afirmou que, até 2033, a prefeitura pretende reduzir o número de mortes no trânsito a zero. Apesar da meta, os casos de óbitos nas ruas de Manaus dispararam no começo de 2026.

De janeiro a março, 67 pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito, o que representa uma alta de 34% em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados recentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

Segundo os dados, as mortes foram referentes a atropelamentos (18), colisões (24), choques (13), quedas (10) e N/I (2), totalizando 67 óbitos. As principais vítimas foram motociclistas, com 34 registros, seguidos de pedestres, com 18 casos; passageiros (8); motoristas e ciclistas, com 2 cada; e N/I (3).

Escalada mês a mês

Os números mostram que a crise se intensificou ao longo do trimestre:

Janeiro: 21 mortes (alta de 31%)
Fevereiro: 21 mortes (alta de 40%)
Março: 25 mortes (alta de 32%)

Cada vítima representa mais do que uma estatística — são histórias interrompidas e famílias impactadas de forma irreversível.

Imprudência segue como principal causa

Especialistas apontam que o avanço das fatalidades está diretamente ligado a comportamentos de risco no trânsito. Entre as principais causas estão:

Excesso de velocidade
Falta de atenção
Consumo de álcool

Essas imprudências continuam sendo determinantes para a ocorrência de acidentes graves e fatais.

Sistema de saúde sob pressão

Além das mortes, o impacto sobre a rede pública de saúde também preocupa. Somente nos primeiros três meses do ano, mais de 7,5 mil vítimas lesionadas foram atendidas no Amazonas — sendo 80% dos casos registrados em Manaus.

Atualmente, cerca de 75% dos leitos hospitalares públicos estão ocupados por vítimas de acidentes de trânsito, o que evidencia o peso da crise para o sistema de saúde e os custos sociais envolvidos.

Tipos de acidentes em alta

Os dados também apontam mudanças no perfil dos sinistros:

Quedas de moto: crescimento de 150%
Choques com objetos fixos: alta de 44%
Colisões: aumento de 26%
Atropelamentos: crescimento de 5%

Proposta: pacto pela vida no trânsito

Diante do cenário, o especialista em trânsito Mário Ricardo Carvalho defende a realização urgente de um Fórum de Mobilidade Urbana, reunindo poder público, instituições e sociedade civil para a construção de um novo plano estratégico de segurança viária.

A iniciativa dialoga com projetos locais como o “Me Sinto Seguro”, que propõe ações integradas de educação, fiscalização e conscientização para reduzir acidentes e salvar vidas.

Mudança depende de todos

Para Mário Ricardo, a reversão desse quadro exige não apenas políticas públicas mais eficazes, mas também uma mudança de comportamento dos condutores.

“A pressa não pode ser maior que a prudência. No trânsito, uma distração pode ser fatal”, reforça o idealizador da campanha.

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