Manaus ostenta hoje um título vergonhoso: é a cidade brasileira que mais gasta proporcionalmente com propaganda e publicidade. Uma façanha nada honrosa para quem enfrenta ônibus superlotados, buracos que viram crateras e postos de saúde que vivem abarrotados. Parece piada pronta: enquanto a vida real da população é cada vez mais dura, o caixa da …
A “capital da propaganda”: Manaus gasta como se fosse Dubai, mas entrega serviços de Bangladesh

Manaus ostenta hoje um título vergonhoso: é a cidade brasileira que mais gasta proporcionalmente com propaganda e publicidade. Uma façanha nada honrosa para quem enfrenta ônibus superlotados, buracos que viram crateras e postos de saúde que vivem abarrotados. Parece piada pronta: enquanto a vida real da população é cada vez mais dura, o caixa da prefeitura banca comerciais milionários para vender uma cidade que só existe na imaginação dos marqueteiros.
Não se trata de uma crítica isolada. A oposição resume o sentimento popular ao perguntar se “a propaganda anda de ônibus lotado” ou se “cura paciente sem leito”. Não adianta os alertas que o desperdício de dinheiro público em publicidade “não é sustentável” e apenas tenta mascarar a precariedade dos serviços. A prefeitura de Manaus mostra-se insensível neste aspecto.
E o coro se repete até entre muitas vozes principalmente nas entidades de classe que chamam o fato de “desrespeito ao contribuinte” e intensificam as críticas pela forma como lidam com recursos públicos, apontam o absurdo do gasto desproporcional em marketing.
O problema é que Manaus virou refém da narrativa publicitária. O cidadão pisa em ruas esburacadas, mas a propaganda mostra avenidas iluminadas. Espera meses por uma consulta médica, mas na televisão aparece uma cidade “modelo em saúde”. O lixo se acumula em bairros inteiros, mas a campanha institucional fala em “cidade limpa e moderna”.
A verdade é dura: Manaus virou a capital da maquiagem política, onde o dinheiro público é usado para criar uma realidade paralela que só existe nas telas de TV e nos outdoors.
Com as eleições se aproximando, o risco para quem governa é enorme. Propaganda pode até inflar números de redes sociais, mas não engana quem sente no bolso e no dia a dia o peso do abandono. O marketing institucional pode gerar likes, mas não gera água encanada, transporte digno ou segurança nas ruas.
Em vez de transformar a vida do povo, a prefeitura escolheu transformar a própria imagem. E nisso, Manaus acaba se consolidando como campeã nacional — mas no ranking errado.











