“A Zona Franca tem que ser permanente. Ninguém tem coragem de dizer isso”, afirma Beth Docinho

Candidata à Câmara, Beth Docinho defende a apresentação de uma PEC para tornar permanentes os incentivos fiscais da ZFM

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A candidata a deputada federal Beth Docinho (MDB) defende a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para tornar permanentes os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Segundo ela, a medida garantiria a continuidade do modelo e daria mais segurança às próximas gerações.

“Não tem jeito. Este foi o único modelo de desenvolvimento que deu certo aqui. Os ambientalistas não permitem que desenvolvamos outros. Então, temos que cuidar do que funciona”, argumenta.

Docinho é o apelido pelo qual a assistente social Elizabeth de Souza Levy Vasconcelos é conhecida em Iranduba, município onde mora e também atua como empreendedora no setor de piscicultura.

Para a candidata, a importância econômica da Zona Franca ultrapassa os limites de Manaus e alcança os municípios do interior por meio dos recursos arrecadados pelo Estado e repassados às prefeituras.

“No meu município, a gente vive da Zona Franca. Não há indústrias do polo instaladas lá, mas é graças aos repasses do Estado que a economia gira. E esses recursos vêm dos impostos que as indústrias instaladas na capital pagam”, afirma.

Segundo Beth, essa dependência se repete em grande parte do interior amazonense.

“Essa situação se reproduz na maioria dos municípios do interior. Nem Parintins, com seu enorme festival, se mantém sem os recursos gerados pela Zona Franca”, sustenta.

Ao defender a continuidade do modelo, a candidata também critica o que considera obstáculos ambientais à implantação de outras atividades econômicas no Amazonas.

“Qualquer coisa que tentemos fazer aqui enfrenta a oposição dos ambientalistas, que tratam a nossa floresta como um santuário intocável. Basta ver a luta que enfrentamos para repavimentar a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho”, declara.

Como exemplo, Beth cita as dificuldades que, segundo ela, a empresa Potássio do Brasil enfrenta para viabilizar a exploração mineral na região do rio Madeira, mencionando Autazes e Nova Olinda do Norte.

“Isso vai gerar muita renda naquela região, mas não chega nem perto do que a Zona Franca gera de receitas. E a luta dos ambientalistas para impedir o avanço do projeto é grande”, afirma.

Preocupação com as próximas gerações

Beth avalia que parlamentares e governantes evitam defender a permanência dos incentivos por receio da oposição de outros estados, como São Paulo. Para ela, porém, o debate precisa considerar o futuro das famílias amazonenses.

“Só que nós temos de pensar nos nossos netos. E eu sou avó. Estou olhando para eles. Os incentivos estão garantidos até 2073, daqui a 47 anos. Quando expirarem, eu não estarei mais aqui, e talvez nem meus filhos estejam. Mas os netos estarão e terão um desafio enorme pela frente para que não voltemos a ser um porto de lenha. Então, vamos enfrentar logo esse desafio e tornar nosso modelo permanente”, defende.

A candidata também associa a Zona Franca à conservação ambiental e acredita que esse argumento pode contribuir para conquistar apoio à proposta.

“Ressalto que a Zona Franca de Manaus é a grande responsável pela manutenção da floresta amazônica praticamente intacta no Amazonas. São 97% de mata preservada aqui. Então, teremos apoio internacional para tornar o modelo permanente”, afirma.

Beth conclui que a proposta busca reduzir as incertezas sobre a continuidade dos incentivos, diante das ameaças que, segundo ela, o modelo enfrenta.

“As ameaças à Zona Franca são constantes, e os adversários do modelo atuam para derrubar os incentivos. Precisamos garantir segurança para a nossa geração e para as próximas”, defende.

“É preciso uma mulher de coragem para dar a partida nessa luta”, arremata.

Beth Docinho disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo MDB, com o número 1551.

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