Disputa pela presidência do Senado em 2027 envolve negociações com a direita, aproximação com o PL e a possibilidade de um acordo sobre a situação judicial do ex-presidente.
ALCOLUMBRE ARTICULA ATÉ ANISTIA A BOLSONARO EM BUSCA DE APOIO PARA CONTINUAR NO COMANDO DO SENADO

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula sua recondução ao comando da Casa em fevereiro de 2027 e busca ampliar o apoio entre parlamentares de direita, inclusive integrantes do Partido Liberal.
Segundo reportagem da Folha, Alcolumbre avalia negociar um indulto ou uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro como parte de uma tentativa de obter votos para sua reeleição. A informação foi atribuída a aliados do senador. 
A estratégia relatada prevê inicialmente uma conversa com o presidente Lula sobre um possível indulto humanitário.
Caso essa alternativa não avance, Alcolumbre poderia trabalhar pela aprovação de uma anistia no Congresso Nacional.
O ponto que permanece sem confirmação é a existência de uma oferta formal de Alcolumbre a Valdemar Costa Neto. As reportagens consultadas documentam articulações e planos atribuídos a aliados, mas não comprovam que essa proposta tenha sido apresentada diretamente ao presidente do PL.
As movimentações ocorrem em meio à decisão do PL de disputar a presidência do Senado com Rogério Marinho (RN).
Nesta quarta-feira, 4 de novembro, a CNN Brasil informou que a legenda preparava o lançamento da candidatura de Marinho, após reunião de suas lideranças com Valdemar Costa Neto. A proposta do grupo é defender maior autonomia institucional do Senado em relação ao Executivo e ao Supremo Tribunal Federal. 
O próprio Valdemar havia declarado à CNN, em 5 de outubro, que o PL não apoiaria a reeleição de Alcolumbre. 
Anistia e presidência do Senado entram na mesma negociação política.
A possibilidade de relacionar a situação judicial de Bolsonaro à eleição interna do Senado provocou reações.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), por exemplo, rejeitou publicamente a hipótese de um acordo que envolvesse o perdão ao ex-presidente em troca de apoio à recondução de Alcolumbre. 
Há ainda uma distinção jurídica relevante: o indulto presidencial e a anistia legislativa possuem procedimentos e efeitos diferentes. Nenhuma dessas alternativas depende exclusivamente da vontade do presidente do Senado.
O cenário, portanto, é de negociação política, não de acordo concluído. Alcolumbre busca votos para permanecer na presidência, enquanto o PL organiza uma candidatura concorrente. A eventual inclusão de anistia ou indulto nas conversas acrescenta uma questão sensível à disputa: até que ponto uma medida relacionada à situação judicial de Bolsonaro pode integrar as negociações pelo comando do Legislativo?









