CCJ aprova calendário de audiências para debater segunda fase da reforma tributária proposta por Eduardo Braga

Relator do projeto, senador pelo Amazonas propôs quatro encontros públicos em maio para discutir criação do Comitê Gestor do IBS

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (23), o calendário de audiências públicas que irão discutir o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2024 — que trata da segunda fase da reforma tributária. De relatoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM), o projeto será debatido em quatro audiências no mês de maio.

O plano de trabalho foi apresentado pelo senador no último dia 2 e prevê encontros com especialistas, membros do governo e representantes da sociedade civil. O objetivo é aprofundar o debate sobre as mudanças estruturais no sistema tributário brasileiro.

A proposta em análise cria um Comitê Gestor para coordenar a arrecadação e distribuição do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá o ICMS (estadual) e o ISS (municipal). O comitê será responsável por administrar os repasses aos entes federativos, promovendo maior transparência e eficiência na gestão tributária.

A realização das audiências será fundamental para embasar as deliberações dos senadores sobre o texto, que representa uma das etapas mais relevantes da transição para o novo modelo tributário brasileiro.

Veja a seguir o que o plano de trabalho prevê para cada uma das quatro audiências públicas.

1ª audiência (6 de maio) – Tema: Comitê Gestor

O primeiro debate abordará as competências, a estrutura organizacional, o orçamento e os mecanismos de controle externo do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CG-IBS).

O projeto determina que o comitê será conduzido por um conselho superior (que terá representantes indicados por prefeitos e governadores, entre outros) e estabelece regras para a eleição dos membros desse conselho. Por exemplo: no caso dos municípios, as votações serão organizadas por associações municipais; no caso dos estados, os candidatos terão de ser secretários da Fazenda.

Os senadores que integram a CCJ ouvirão o responsável pela Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária (Sert) do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, e representantes de diversos órgãos interessados, como:

• Confederação Nacional de Municípios (CNM);
• Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP);
• Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz);
• Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), entre outros.

2ª audiência (13 de maio) – Tema: Conflitos Tributários

Nesse debate, serão abordadas as infrações, as penalidades e as multas relativos ao IBS, assim como as regras sobre o processo administrativo tributário desse imposto.

De acordo com o projeto, o processo no âmbito administrativo terá três etapas de julgamento: a primeira instância, a instância recursal e a Câmara Superior do IBS (que terá a decisão final). Para implementar isso, o texto determina a atuação conjunta de auditores fiscais de estados e municípios. No entanto, as regras previstas geram questionamentos entre auditores fiscais.

Devem participar da audiência pública o diretor de programa da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária (Sert) do governo federal, Manoel Nazareno Procópio de Moura Júnior, e representantes de outras entidades, como:

• Associação dos Conselheiros Representantes dos Contribuintes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Aconcarf);
• Associação Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape);
• Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais (ANPM).

3ª audiência (20 de maio) – Tema: Tributos Estaduais

Essa audiência discutirá a transição do ICMS para o IBS até 2033, além das normas gerais do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), que é um tributo estadual. O ITCMD é devido quando há doações e heranças, e a porcentagem a ser paga varia de acordo com a legislação de cada estado.

Serão convidados os seguintes especialistas:

• o advogado e professor titular de Direito Financeiro da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Facury Scaff;
• o advogado e doutor em Direito Fábio Lemos Cury;
• um representante do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz);
• um representante da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB);
• um representante da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

4ª audiência (27 de maio) – Tema: Tributos Municipais

A última audiência vai abordar os dispositivos do projeto que alteram normas sobre o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e a Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip).

Os senadores devem ouvir:

• o presidente do Conselho Tributário Fiscal de Goiânia e auditor fiscal de Goiânia, Lucas Morais;
• o auditor fiscal do município de São Paulo e doutor em Direito Alberto Macedo; e
• a advogada e diretora de Relações Institucionais da Associação Brasileira das Concessionárias de Iluminação Pública (ABCIP), Vanessa Rosa.

O PLP 108/2024 é o segundo projeto de lei a regulamentar a reforma tributária (em janeiro, foi sancionada a primeira parte, que criou o IBS). Segundo Eduardo Braga, o PLP 108/2024 é o “último estágio” da reforma tributária iniciada em 2023 com a Emenda Constitucional 132.

Com informações da Agência Senado

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