Autoridades argentinas confirmaram passagem do senador e de sua família pelo país; suspeitas de participação da inteligência provocam reação parlamentar
Milei é apontado como peça-chave no apoio à saída de Flávio Bolsonaro pela Argentina

A saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil pela fronteira argentina abriu uma controvérsia sobre a atuação do governo de Javier Milei. Após versões contraditórias, a Direção Nacional de Migrações confirmou que o parlamentar entrou no país acompanhado da esposa e das duas filhas na noite de terça-feira (27), seguindo para um voo particular em Puerto Iguazú.
O episódio ocorreu depois de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que proibiu Flávio de deixar o Brasil e ordenou a entrega de seus passaportes. Segundo a Agência Brasil, a Polícia Federal cancelou os documentos após o descumprimento da ordem judicial.
De acordo com o comunicado migratório reproduzido pelo jornal argentino La Nación, a família atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50. As autoridades argentinas afirmaram que os viajantes apresentaram documentação válida e não tinham impedimento legal para entrar naquele país. O destino declarado do voo particular era Guayaquil, no Equador.
A confirmação alterou o quadro apresentado inicialmente pelas autoridades argentinas, que haviam negado possuir registro da entrada do senador. A mudança alimentou cobranças sobre as circunstâncias da passagem pela fronteira e do embarque.
Na Argentina, a deputada Marcela Pagano anunciou uma denúncia criminal para investigar o ingresso de Flávio e sua posterior saída em avião particular. A parlamentar questionou as versões oficiais diante da restrição judicial imposta no Brasil.
As imagens que acompanham esta publicação apresentam uma versão mais ampla: uma suposta operação da inteligência argentina para despistar a Polícia Federal e viabilizar a viagem aos Estados Unidos. Entretanto, os detalhes sobre música alta na residência, esconderijo em Foz do Iguaçu e divulgação deliberada de informações falsas não estão comprovados pelas fontes consultadas.
A passagem pela Argentina e o embarque foram confirmados pelas autoridades migratórias. Já a existência de uma operação coordenada pela Secretaria de Inteligência do Estado, a SIDE, permanece uma alegação que exige investigação e apresentação de provas.
O jornal El País informou que um porta-voz do Departamento de Estado confirmou a emissão de vistos para Flávio e sua família. A informação, contudo, não comprova os detalhes da suposta operação descrita nas imagens.
O caso reúne questões migratórias, judiciais e diplomáticas. O ponto central agora é esclarecer como ocorreu a saída do Brasil apesar da proibição judicial e se houve participação de agentes públicos estrangeiros na organização do deslocamento.










