Senador deixou o Brasil após perder as eleições
Flávio Bolsonaro se manifesta após deixar o Brasil e se declara “verdadeiro presidente eleito”

O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma carta nesta quarta-feira (28), após deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos. No documento, o candidato derrotado na eleição presidencial se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e afirma que pretende liderar a oposição a partir do exterior. Veja comunicado na íntegra abaixo.
Na carta, Flávio agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela “coragem, senso de justiça e legalidade”, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por acolhê-lo no país.
O senador também volta a contestar o resultado da eleição e atribui ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsabilidade pelo aumento de mais de 10 milhões de votos obtidos por Lula entre o primeiro e o segundo turno.
Os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Lula recebeu 53.876.617 votos no primeiro turno e 64.256.232 no segundo, uma diferença de aproximadamente 10,38 milhões de votos. No entanto, não há evidência de que esse crescimento tenha relação com a extensão do horário de votação. Segundo o TSE, apenas 34.393 votos foram registrados após as 17h em todo o país.
A prorrogação do horário foi determinada por Zanin para as seções que ainda estavam em funcionamento. A medida ocorreu após as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro apresentarem pedidos relacionados a dificuldades enfrentadas por eleitores no dia da votação.
“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes”, afirmou Flávio na carta.
O candidato derrotado também fez acusações contra o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que, após o resultado eleitoral, teria sido colocado em prática um “plano previamente elaborado” para apreender seus passaportes. As acusações são feitas pelo senador e não foram acompanhadas de provas no documento.
Flávio também negou ter fugido do Brasil.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, declarou.
O senador deixou o Brasil após Alexandre de Moraes determinar a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. Segundo informações divulgadas, Flávio não cumpriu o prazo estabelecido e deixou o país pela fronteira com a Argentina antes de seguir para o Equador e, posteriormente, para os Estados Unidos.
Na carta, Flávio afirma ainda que pretende liderar a oposição diretamente dos Estados Unidos.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirmou.
Flávio Bolsonaro perdeu o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o TSE, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalente a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos, ou 48,21%, de Flávio.
Foto: Reuters










