Anderson é suspeito de integrar organização criminosa de pirâmide financeira
Pastor orou ao lado de Maria do Carmo dias antes de ser alvo de operação

O então primeiro pré-candidato a deputado estadual pelo PL Amazonas, Anderson Ricardo Lima dos Santos, conhecido como Anderson Bandeira, apareceu orando ao lado da pré-candidata da sigla ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair, no último sábado (21), em evento do partido. Dias depois, na terça-feira (24), Anderson foi alvo da Polícia Civil do Amazonas, suspeito de integrar uma organização criminosa que aplicava golpes financeiros avaliados em R$ 75 milhões.
Anderson se apresentava nas redes sociais como um homem íntegro; dizia-se cristão, servo de Deus, lia versículos bíblicos para seu público e falava sobre honestidade. Mas, por trás das câmeras, seria outra pessoa, segundo as investigações.
Anderson foi um dos alvos da Operação Negócio Turvo, que cumpriu oito mandados de prisão e nove mandados de busca e apreensão domiciliar, além de três empresariais, sendo um no estado do Rio de Janeiro. Ele não foi encontrado pelas autoridades policiais e é considerado foragido da Justiça.
Anunciado com pompas como o primeiro pré-candidato a deputado estadual pelo PL, com a bênção do presidente do partido, Alfredo Nascimento, Anderson refletia a importância que tinha dentro do núcleo partidário e a confiança do líder da legenda. Após seu nome ser envolvido no esquema criminoso, a sigla o expulsou. Veja nota na íntegra abaixo.
Durante o evento do partido, no último sábado, Anderson pediu permissão para fazer uma oração e afirmou estar diante da “futura governadora” e do futuro “deputado federal”, referindo-se a Alfredo Nascimento. “Estamos numa guerra e a senhora está sendo perseguida. O apóstolo Paulo fala que ninguém é perseguido se não for pelos seus resultados”, declarou.
Operação
A PC-AM, por meio do 25º Distrito Integrado de Polícia (DIP), deflagrou a Operação Negócio Turvo, que resultou no cumprimento de oito mandados de prisão contra integrantes de uma organização criminosa investigada pelos crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato, falsidade ideológica e falsificação de documentos.
Foram presos Adrião Severiano Nunes Júnior, Bruno Muniz Rodrigues, Carla Castro da Silva, Gabriel Azevedo da Fonseca, João Pedro Guimarães de Araújo, Raquel Souza da Silva, Tayana Graça da Silva Alé e Tony Philip Ferreira da Silva.
Durante a ação, foram efetuadas oito prisões e cumpridos nove mandados de busca e apreensão domiciliar e três empresariais, sendo um no estado do Rio de Janeiro. Três investigados seguem foragidos: Anderson Ricardo Lima dos Santos, Carlos Augusto da Silva Freitas e Emanuelle Rosa Ramos dos Santos.
De acordo com o delegado Leonardo Marinho, titular do 25º DIP, as investigações tiveram início a partir do registro de boletins de ocorrência em diversas delegacias da capital, além da oitiva de testemunhas e de ex-funcionários de uma empresa responsável pela captação de clientes interessados em obter rendimentos financeiros.
“A empresa prometia ganhos vultosos, de forma fraudulenta, a vítimas, como servidores públicos, utilizando dados do Portal da Transparência para induzi-las à contratação de empréstimos bancários. Os valores eram rapidamente transferidos para contas controladas pela organização criminosa, sendo firmados contratos de cessão de crédito com o objetivo de dar aparência de legalidade às operações”, relatou o delegado.
Segundo Marinho, ficava acordado que os clientes receberiam mensalmente os valores correspondentes às parcelas dos empréstimos, acrescidos de uma quantia adicional. No entanto, após o pagamento de algumas parcelas iniciais, os repasses deixaram de ser realizados.
As apurações também constataram que parte dos investigados era composta por ex-funcionários de outra empresa, igualmente envolvida em esquema de pirâmide financeira, com modus operandi semelhante. Em razão da experiência adquirida, esses indivíduos passaram a atuar na empresa atualmente investigada.
“Foram realizadas diversas análises de vínculos entre os investigados, o que permitiu identificar que a organização era totalmente estruturada, com membros diretivos e sócios da empresa, Bruno e João, ambos já presos, contando ainda com o apoio de Anderson”, explicou o delegado.
Os membros executores e operacionais eram Carla, Tayana, Raquel e Emanuelle, que permanece foragida. Já o núcleo responsável pela lavagem de dinheiro era comandado por Adrião, Carlos, Gabriel e Tony, que atuavam para fazer com que os valores entrassem no sistema financeiro como crédito e saíssem como débito.
Conforme a autoridade policial, nesse tipo de golpe os criminosos atraíam as vítimas por meio da promessa de retornos financeiros garantidos, pagos com recursos aportados por novos participantes. Com a interrupção da entrada de novos investidores, o sistema entra em colapso, ocasionando prejuízos expressivos às vítimas.
Partido expulsou
Após a repercussão do caso, o PL amazonas afirmou que expulsou Anderson da sigla. Veja nota na íntegra.











