Magistrado teria vazado informações de operação para parlamentares
Prisão de desembargador escancara crime organizado instalado em todas as esferas de poder no RJ

Por redação Foco no Fato
A prisão do desembargador Macário Júdice Neto pela Polícia Federal, na manhã desta terça-feira (16), escancara a infiltração do crime organizado em todas as esferas de poder no estado do Rio de Janeiro. Membros dos poderes Executivo e Legislativo do estado foram presos nos últimos anos, e a prisão de um magistrado revela que a criminalidade chegou também ao Judiciário.
O estado carioca é marcado pela prisão de figurões da política. Recentemente, dois deputados estaduais foram presos pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com o crime organizado. Entre eles, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), por ter vazado informações para seu colega de Casa, TH Joias.
Além de membros do Legislativo, o estado carioca teve cinco ex-governadores presos nos últimos anos, entre eles Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, o casal Anthony e Rosinha Garotinho, além de Wilson Witzel, que chegou a ter o mandato cassado.
Entenda a ligação entre deputados e desembargador
A Polícia Federal e o Ministério Público do Rio (MPRJ) deflagraram, em 3 de setembro deste ano, a Operação Zargun, que teve como alvo o deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias. Ele foi preso por ligação com o Comando Vermelho. O deputado foi destituído do cargo no mesmo dia e indiciado pela PF por diversos crimes.
Diante da suspeita de vazamento da operação, a PF deflagrou, no começo deste mês, uma nova ação intitulada “Unha e Carne”, que prendeu preventivamente o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), por suspeita de ter enviado detalhes da operação para seu colega de Casa.
É nesse âmbito que a Polícia Federal chegou ao desembargador Macário Júdice Neto, relator do caso envolvendo TH Joias no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que abrange o estado do Rio de Janeiro. O magistrado é suspeito de ter vazado informações para os parlamentares. A autorização da prisão foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A prisão do magistrado revela a infiltração do crime organizado nas três esferas do poder — Executivo, Legislativo e Judiciário — e escancara a criminalidade nas altas esferas do poder.











