???? Coluna 08 de Senador Plínio Valério | Tema: T eses infundadas são um desserviço à nação

A cada momento encontramos previsões catastrofistas a respeito de nossa Amazônia, como as que acabam de ser publicadas em um periódico norte-americano, o Nature Climate Change. Nesse texto garante-se que a Amazônia se aproxima de uma “virada irreversível”, em que 50% de seu volume florestal está perto de se tornar uma grande savana, tudo devido …

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A cada momento encontramos previsões catastrofistas a respeito de nossa Amazônia, como as que acabam de ser publicadas em um periódico norte-americano, o Nature Climate Change. Nesse texto garante-se que a Amazônia se aproxima de uma “virada irreversível”, em que 50% de seu volume florestal está perto de se tornar uma grande savana, tudo devido a ações humanas que acabam por agravar potencialmente o problema do aquecimento global.

Chega-se aí, previsivelmente, à afirmativa de que essa transição traria “grande prejuízo à biodiversidade, mudar completamente padrões meteorológicos regionais e acelerar de forma dramática as mudanças climáticas” já nas próximas décadas.

 Não é exatamente uma novidade. A ideia de que a Amazônia estaria se transformando em um areal circula desde os anos 40 do século passado, na tese conhecida como a “desertificação da floresta”. Embora se fale nisso há aproximadamente oitenta anos, até hoje não houve nenhum fato concreto nesse sentido e nem um só palmo de terreno de toda essa imensa e bela região virou o esperado areal.

Há menos de um mês surgiu um concorrente sério a campeão do catastrofismo amazônida. O Relatório Anual de Desmatamento lançado pelo projeto MapBiomas assegura que, na Amazônia, o ritmo da derrubada de florestas chegou a 1,9 hectare por minuto, o que equivale a cerca de 18 árvores por segundo. Isso seria um balanço do ocorrido em 2021.

Ibama/Divulgação 2020

 A fonte desse estudo? Claro, um mapeamento das mudanças na vegetação do território brasileiro a partir da colaboração de universidades, ONGs e empresas de tecnologia. Não se precisa, infelizmente, de onde essas entidades retiraram, por sua vez, esses dados.

Basta fazer as contas para perceber que esses números são duvidosos. Segundo ele, a cada hora o Brasil perdeu 189 hectares de vegetação nativa ao longo de 2021 — foram 4.536 hectares por dia. A marcha acelerada somou 16.557 quilômetros quadrados de desmate no último ano, equivalentes a quase três vezes a área do Distrito Federal. O valor seria 20% superior ao de 2020.

Apenas na Amazônia, o ritmo da derrubada de florestas teria sido de 1,9 hectare por minuto, o que equivale a cerca de 18 árvores por segundo. Em todo o País, seriam cerca de 191 novos eventos de desmatamento por dia. Para cada ação de desmate, a velocidade média foi de 0,18 hectare por dia em 2021 — contra 0,16 hectare/dia em 2020.

Para se verificar a autenticidade desses dados basta fazer contas. Implicariam o desmate de 987 mil 610 hectares, ou 9.876 quilômetros quadrados.

A partir daí, constataríamos que representariam a derrubada de 567 milhões, 648 mil árvores em um ano, já que a densidade comprovada da vegetação da Amazônia é de 565 árvores por hectares. Chegaríamos, portanto, a afirmar que foram desmatados nesse ano apenas, na Amazônia, o equivalente a mais de oito vezes a superfície do município do Rio de Janeiro.

É evidente que isso não ocorreu. Acreditar cegamente nesse tipo de estudo, que parte de variáveis não evidenciadas e não verificáveis, é confiar em teses duvidosas, a serviço de causas não identificadas.

É evidente também que precisamos nos preocupar com os danos ambientais, como devemos combater o desmatamento na Amazônia e proteger qualquer um dos biomas brasileiros. Porém, acreditar em teses infundadas e em dados catastrofistas é desservir a Nação.

Senador Plínio Valério

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