???? Coluna 2 de Antonio Peixoto | Tema: “Cada um tem um Olavo que merece, Ora P***!”

“Todos os meus mortos queridos... Eu não sinto saudade deles. Porque eles estão presentes, eles existem. Nada do que aconteceu 'desacontece'. Aquilo que acontece aqui durante uma fração de segundo já está na eternidade, nunca mais volta ao não-ser." Inteligência possuída de uma sagacidade que só um tio daqueles que você poderia passar horas tomando …

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“Todos os meus mortos queridos… Eu não sinto saudade deles. Porque eles estão presentes, eles existem. Nada do que aconteceu ‘desacontece’. Aquilo que acontece aqui durante uma fração de segundo já está na eternidade, nunca mais volta ao não-ser.”

Olavo de Carvalho (1947-2022) foi um escritor e jornalista brasileiro. Era considerado um polemista e um dos poucos representantes do pensamento conservador no Brasil. Foi influenciador dos apoiadores de Jair Bolsonaro.

Inteligência possuída de uma sagacidade que só um tio daqueles que você poderia passar horas tomando um café e admirando até o que aos outros é proibido, como fumar o seu velho cachimbo e soltar aquele palavrão que na boca dele vira mantra. É assim que eu vivi tardes e tardes com o grande Olavo de Carvalho.

Alguém até pode dizer: “Você conhece ele?” – Enfaticamente como todos que viviam um pouco cá, um pouco lá, na Virgínia, eu direi: “Claro!”, afinal Olavo me soa tão familiar que mesmo sem tê-lo visto uma única só vez pessoalmente, tinha cada detalhe daquela sala decorada na mente, até o Mastiff dele eu sabia o nome. Por diversas vezes o velho me fez viajar sem sair do lugar.

Olavo é daqueles que só não gosta quem não o conhece e, eu tenho certo pra mim, que muitos críticos tem um medo apaixonado de ouvir um: “Ora, porra! Meu filho…” e nem sentir-se ofendido…

Olavo de Carvalho nos Odeia – dizia o Orkut, foi clicar, ler e mergulhar como um Avatar, no que pra mim foi um solo totalmente desconhecido até então. O ‘Jardim das Aflições’ foi persuasivo, o ‘Imbecil Coletivo’ me deu um catiripapo intelectual e aí veio o ‘Mínimo’, que já nasceu bestseller pra mim, pronto! Nem vou citar ‘Aristóteles sob nova perspectiva’, ou ‘Apoteose da vigarice’ pra não singrar e sangrar a saudade.

Não quero aqui falar tecnicamente a importância desse velho rabugento, teimoso e que por incrível que pareça, SEMPRE TEM RAZÃO! Quero apenas falar de um cara que diferente de Che, Fidel, Dirceu e outros pseudo revolucionários. Olavo fez o que eles jamais farão, criou um exército apenas com papel e caneta e, de livros, transformou apedeutas em leitores de Mário Ferreira, São Tomás de Aquino e muitos outros que só ele ressuscitou pra gente.

Do jeito que é teimoso, deve estar puxando as orelhas de D.Pedro, quiçá tomando um café com seu amigo Bruno Tolentino e claro, de joelhos frente aquele que te fez saber que a riqueza de um homem começa em reconhecer que diante de Deus tudo o que tem é poeira, pó, só, nó…

Você faz muita falta, lá se vão 365 dias sem receber aquela notificação e, da minha sala, entrar na sua casa e assistir por horas a fio você falar de coisas que moravam bem embaixo do meu nariz mas nunca escaparam da avidez de um velho com seu cachimbo e uma Roxane que nem o tal Sting fora capaz de encantar todos os dias até descansar!

“Mil vezes na vida eu passei pela situação onde eu perdia tudo, não sobrava nada, nada, nada. E sobrava somente uma coisa: sobrava Deus, sobrava esperança do perdão dos meus pecados e esperança na vida eterna. É só isso que eu tinha. E é só isso que eu tenho. Eu não tenho mais nada. Eu posso morrer agora mesmo e não estou nem ligando. Eu só quero uma coisa: eu quero que Deus me perdoe os meus pecados e me leve para perto d’Ele. É só isso que eu quero!”.

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