Delcy Rodríguez pediu para ser recebida na Casa Branca na próxima semana

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, teria solicitado ser recebida na Casa Branca na próxima terça-feira, afirmaram fontes americanas ouvidas pelo jornal espanhol ABC. A líder chavista teria enviado pedidos a diversos órgãos da administração federal americana em Washington para uma série de reuniões políticas — que poderiam coincidir com uma já anunciada viagem …

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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, teria solicitado ser recebida na Casa Branca na próxima terça-feira, afirmaram fontes americanas ouvidas pelo jornal espanhol ABC. A líder chavista teria enviado pedidos a diversos órgãos da administração federal americana em Washington para uma série de reuniões políticas — que poderiam coincidir com uma já anunciada viagem da líder da oposição, María Corina Machado.

A publicação espanhola afirma que Delcy ainda não tem uma agenda fechada na capital americana, e que não há uma confirmação por parte dos órgãos oficiais. Contudo, fontes americanas consultadas pelo jornal informaram que o procedimento foi iniciado e está em uma fase preliminar, devendo ainda passar por determinados crivos, incluindo sobre a entrada de um voo diplomático a partir da Venezuela. Parte da administração federal americana, como o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Nacional também estariam examinando o pedido.

As informações sobre a suposta viagem de Delcy aos EUA surgem no mesmo dia em que o governo interino da Venezuela anunciou a retomada das relações diplomáticas com Washington, que estava rompida desde 2019, quando os americanos fecharam a Embaixada em Caracas, transferindo todas as atividades relativas ao país para uma representação em Bogotá.

O governo interino definiu como um “processo exploratório diplomático”, e anunciou que enviaria uma delegação de diplomatas a Washington — sem qualquer referência a uma viagem da presidente. Também chegam um dia depois do presidente dos EUA, Donald Trump, indicar que se reunirá com María Corina na próxima semana em Washington.

O futuro político da Venezuela ainda está nebuloso diante da variedade de atores e interesses na região. Embora os EUA tenham historicamente apoiado movimentos de oposição em Caracas, o presidente Donald Trump ignorou a líder María Corina logo após a captura do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, afirmando que ela não tinha “apoio ou respeito” para governar.

A opção inicial americana foi por apoiar uma transição a partir da vice de Maduro — uma liderança vista como profissional e capaz por interlocutores americanos, sobretudo os ligados à indústria do petróleo. No cálculo político, estaria a preocupação americana de não desestabilizar completamente a região ao retirar Maduro do poder, abrindo espaço para disputas entre grupos armados.

A administração venezuelana tenta passar uma imagem de unidade e continuidade. A transição para o governo interino foi confirmada sem maiores contestações, e os quatro principais nomes do chavismo — além de Delcy, seu irmão e presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o ministro da Defesa, Padrino López — apareceram juntos na posse da líder interina. Analistas apontam, porém, que haveria tensões internas entre o grupo, sobretudo quanto à resposta aos EUA.

Não está claro se Delcy está de acordo com os planos americanos para uma transição de governo — citados pelo secretário de Estado Marco Rubio na quarta-feira. Publicamente, ela demonstrou apoio ao retorno de Maduro ao país — algo que os EUA parecem longe de concordar — e denunciou o ataque. A retomada dos laços diplomáticos e o interesse em negociar pessoalmente, em solo americano, porém, lançam sinais de uma possível colaboração.

Líderes de outras partes do mundo — mesmo de países que condenaram expressamente a ação dos EUA, considerando uma violação territorial à margem do direito internacional — tentam influenciar por uma transição de poder que inclua o espectro político alheio ao chavismo.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse nesta sexta-feira que espera “ajudar a aproximar” a presidente interina da oposição, incluindo o ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, exilado em Madri.

“Queremos apoiar o país nesta nova fase e ajudar a aproximar as duas partes. Já comuniquei isso a Delcy Rodríguez e Edmundo González Urrutia”, disse ele em uma mensagem na rede social X.

Fonte: O Globo

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