Uma manobra da Hapvida permitiu que a operadora de saúde vencesse uma licitação pelo dobro do valor apresentado pela concorrente. A Prefeitura de Manaus ainda autorizou um reajuste que elevou o custo do contrato em 10% em relação ao valor inicial. O mesmo mecanismo foi identificado pela reportagem em outro contrato firmado pela empresa no …
Prefeitura de Manaus autoriza contrato de R$ 119 milhões à Hapvida, pelo dobro do valor

Uma manobra da Hapvida permitiu que a operadora de saúde vencesse uma licitação pelo dobro do valor apresentado pela concorrente. A Prefeitura de Manaus ainda autorizou um reajuste que elevou o custo do contrato em 10% em relação ao valor inicial. O mesmo mecanismo foi identificado pela reportagem em outro contrato firmado pela empresa no Amazonas.
O caso mais emblemático ocorreu em um pregão da prefeitura para a contratação de plano de saúde. A Hapvida entrou na disputa oferecendo R$ 108 milhões. No decorrer da licitação, uma concorrente apresentou proposta de R$ 52 milhões.
Para não perder o contrato, a Hapvida reduziu seu lance para cerca de R$ 54 milhões e foi declarada vencedora — movimento que indicava uma economia relevante para os cofres públicos.
Encerrada a licitação, porém, a estratégia mudou. A empresa recorreu ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) e conseguiu restabelecer o valor original ofertado: R$ 108 milhões, mais que o dobro da menor proposta apresentada no pregão.
Menos de um mês após a assinatura, a prefeitura ainda autorizou um aditivo contratual de 10%, elevando o valor total para R$ 119 milhões. Na prática, o contrato passou a custar mais de R$ 65 milhões acima do menor lance registrado na disputa — diferença absorvida integralmente pelo poder público.
Documentos analisados pela reportagem mostram que a manutenção de contratos por meio de recursos administrativos e judiciais ocorre mesmo em contextos de questionamentos sobre a qualidade do serviço prestado.
Fonte: Metrópoles











