Soltura de criminosos chama atenção pela gravidade dos crimes
Só neste ano, Justiça do AM soltou traficante preso com tonelada de droga e PM pego com armamento de guerra

Apenas neste ano, a Justiça do Amazonas mandou soltar, durante audiência de custódia, dois homens presos por crimes que chamaram a atenção pela gravidade dos delitos, ocorridos em Manaus e no interior do estado.
Em março, o juiz Túlio de Oliveira Dourinho concedeu liberdade a um traficante internacional preso com 1,2 tonelada de drogas no interior do Amazonas. Na semana passada, o juiz Luís Cláudio Cabral Chaves soltou um policial militar preso com armamento de guerra. Em ambos os casos, o Ministério Público do Amazonas recorreu solicitando a prisão preventiva dos homens.
O policial militar Douglas Napoleão Campos foi preso em flagrante na última quinta-feira (1) por posse de duas metralhadoras antiaéreas Browning M1919 A4/A6 calibre 30. Mesmo pego em flagrante com armamento restrito e usado em guerra, o juiz Luís Cláudio Cabral Chaves decidiu conceder liberdade provisória durante audiência da custódia ocorrida no último sábado (3).
Ao conceder a liberdade ao policial, o juiz determinou de medidas cautelares como monitoramento por tornozeleira eletrônica, ressaltando que o investigado possui residência fixa e é servidor público.
No entanto, o MP-AM recorreu da decisão do juiz e solicitou a prisão preventiva do policial alegando que o arsenal apreendido tem fortes indícios de estar vinculado a organização criminosa. Além disso, o órgão ministerial destaca a gravidade da ocorrência e os riscos à ordem pública.
Outro caso que ganhou grande repercussão por conta da soltura foi o do traficante colombiano Juan Carlos Urriola, preso com 1,2 tonelada de drogas em Santa Isabel do Rio Negro, interior do Amazonas, em fevereiro.
A avaliação da prisão do colombiano foi realizada pelo juiz Túlio de Oliveira Dorinho, em 25 de fevereiro, que determinou sua soltura alegando que Juan não tinha antecedentes criminais. O que chama atenção é que, além da grande quantidade de drogas apreendida com o traficante, o colombiano já tinha passagens pela justiça e, inclusive, mandado de prisão em aberto.
A soltura do colombiano gerou forte reação do Ministério Público, que chegou a recorrer, pedindo a revogação da concessão de liberdade. O juiz Luís Alberto Nascimento Albuquerque acatou o pedido do MP e determinou a prisão preventiva do suspeito, revertendo a decisão anterior. Contudo, Urriola continua foragido.
Os dois casos envolvendo soltura de homens presos pela prática de crimes gravíssimos ocorreu em menos de cinco meses no Amazonas e gerou questionamentos sobre a atuação do Poder Judiciário na repressão ao crime organizado.











